12 de abril de 2016

Clube da Luta de Chuck Palahniuk


A primeira regra do Clube da Luta é não falar do Clube da Luta 

Clube da Luta é um livro de Chuck Palahniuk, cuja premissa é contar uma história sob a visão de um narrador com problemas psicológicos.

O leitor tem a impressão de que a saga começa pelo fim ou de que a cena crucial da história já é despejada imediatamente. Embora não se possa atestar de forma efetiva o que ocorre em toda a saga, já que estamos limitados pelos olhos do narrador que, sequer é nomeado e possui sérios desvios psicológicos, Palahniuk nos apresenta um drama multifocal e perturbador. O mode do narrador perceber o mundo, fracionado, incompreensível, opressivo, reflete bem os dias atuais.

Não se trata de uma leitura simples e nem esclarecedora. Confusa em muitos pontos por sua própria natureza, o Clube da Luta apresenta o narrador/personagem e sua relação com Tyler Durden, seu amigo e companheiro de quarto. Há também a relação amorosa entre o narrador, Tyler e Marla, esta terceira uma garota que o narrador conheceu em um grupo de apoio aos doentes de câncer. Tanto ele quanto ela não possuem doença alguma, mas frequentam o grupo. Tyler pede para que o narrador o acerte para valer. Ele hesita, mas acaba cedendo. O resultado é bom. Está criado o Clube da Luta, mas não se pode falar dele.  

Chuck Palahniuk trabalha a loucura e a subjetividade ao longo da história de um modo interessante. Clube da Luta representa o próprio mundo, no qual somos inseridos. Ele bate e é preciso aprender a revidar ou suportar a dor. As emoções humanas e o ambiente no qual somos inseridos são elementos constantes e interferem de forma direta ou paulatinamente no que o narrador entende de si mesmo. Até mesmo a forma de narrar utilizada parece pensada. frases curtas, de impacto e desprovidas de conectivos, cuja impressão é a de que golpeiam os leitores. O narrador também é atropelado por si mesmo. 

Em suma um livro original, de leitura complexa. Talvez seja necessário mais de uma para se compreender os pormenores ou as entrelinhas. Desanimador no começo pela novidade excessiva da narrativa, mas que com o tempo vai ganhando corpo e indícios de compreensão. No final, se alguém nos observasse sem ser humano, acharia também que somos todos loucos.

Fica a dica e a resenha.             

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