14 de agosto de 2026

Não pode tocar


 

Mãe Estela repetiu que ninguém, a partir dali, poderia tocá-la. Se conseguisse, teria o sucesso que tanto sonhava e seria muito rica. Érica assentiu, selando o pacto, não se importando com as consequências de falhar. 

Com os anos, conseguiu riquezas que achava impossível a alguém ter; seu nome se tornou mais conhecido do que o do presidente do país. Sentiu-se tão poderosa que não viu mal em descumprir o combinado com Mãe Estela e quem ela representava. 

Uma noite incrível, tinha se esquecido do quanto era bom. Cansada, dormiu, para sempre.  

12 de agosto de 2026

Para minha mãe



Ao ouvir o seu nome sendo anunciado, ela se levantou. Partiu por entre a fileira de formandos, roçando a barra da beca em outras becas. Um filme passou-lhe pela mente enquanto caminhava para o palco mal iluminado. Era sobre suas mães. Sim, Letícia tinha duas: a mãe mãe e a mãe avó. Ambas estavam na plateia tirando fotos. 

Subiu pelo canto do palco e caminhou em direção aos professores e diretores ao som seco do salto sob o tablado. Ganhou os abraços de costume, pegou o canudo e foi ao microfone central. Com lágrimas nos olhos, agradeceu àquela que a criara; lhe dera caráter, estudo e dignidade. 

A senhora a fitava da plateia, orgulhosa. Dessa vez acertara como mãe.  

   

23 de julho de 2026

Parabéns

E ele que não queria festa, não tinha ânimo, acabou ganhando a celebração mais bonita da sua vida. Percebeu o quanto era amado, querido e importante. Pousou para foto, junto aos filhos e a esposa, tentando manter a seriedade de sempre, embora a felicidade quisesse escapar pelos cantos dos lábios. 

— Pronto. Agora vamos comer — disse. 

Foi a última fotografia.  

10 de julho de 2026

Sonho e Pó no Olho Vivo

Saiu uma entrevista no canal Olho Vivo do amigo escritor e radialista Athayde Martins sobre o meu livro Sonho e Pó. Ela aconteceu lá na Bienal do Livro de Mogi Mirim mesmo. Quer ver?



Não é o máximo?
Deixo registrado aqui os meus agradecimentos pelo apoio e amizade que recebi do Athayde Martins. Ah, você pode seguir o canal dele e conferir seu conteúdo artístico. Eu já faço isso.  
Abraço!

4 de julho de 2026

Em casa


O barulho do chacoalhar das chaves; das dobradiças da porta, que precisam de lubrificação; dos sapatos de salto alto sobre o piso cor de cinza-noite. O dedo no interruptor faz a luz solitária se espalhar pela saleta. Tudo meticulosamente arrumado e cheirando a lugar fechado.

A bolsa pequena pende de seu ombro até o sofá cor de pérola. Ela se senta, retira os sapatos e encara o vazio: não deveria estar ali.  

5 de junho de 2026

Amanhã



Lá no Acampamento de Escritores eu postei um conto que se chama "Amanhã". Esta breve história tem ligação com Sonho e Pó, o livro que lancei recentemente. Conta um pouco de história de um carregador de caixão, mas para não estragar a surpresa de quem está lendo ou ainda lerá a história, vou evitar transcrever o o conto aqui. Vou deixa o link para leitura:

https://acampamento.altvers.net/texto/amanha

Veja mais texto por lá! Comente, escreva, compartilhe.

Abraço.