Ele nunca soube fazer um barco de papel. Ela tentou lhe ensinar, mas logo percebeu que a tarefa seria difícil.
— Dobra aqui, olha — ela falou.
As mãos dele não eram boas para arte, mas a alma, sim. O sorriso que via nela daria poesia.
Ele nunca soube fazer um barco de papel. Ela tentou lhe ensinar, mas logo percebeu que a tarefa seria difícil.
— Dobra aqui, olha — ela falou.
As mãos dele não eram boas para arte, mas a alma, sim. O sorriso que via nela daria poesia.
A mãe mostrou-lhe uma corrente com um pingente de estrelas, perguntando de quem era. Lembranças só dele, escondidas com muito empenho, ressuscitaram com violência; eram do dia em que o amor perdido usou aquele colar; da última vez que se amaram. Ela esqueceu a bijuteria sobre o criado mudo quando foi embora e nunca mais soube dele até ali. Dela, sabia que se casara, tinha filhos e vivia aparentemente feliz, embora perguntasse a si mesmo se se lembraria do pingente de estrela. Ele não se casou, não teve filhos, não vivia aparentemente feliz.
Não tinha falado nada antes, mas tem um livro novo de minha autoria lá na Amazon para ser adquirido. O título dele é Sonho e Pó e se trata de uma história fragmentada em que uma menina chamada Elisa sai em busca da mãe que a abandonou sem explicação. O cenário, você vai ver, é o interior do nosso Estado de São Paulo, precisamente a zona rural aqui da região de Mogi Guaçu, Aguaí...
O caminho é de um dia, mais ou menos. Muita coisa acontece nesse tempo. Veja aqui a capa e a sinopse:
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| A capa foi criada pelo Yuri Raposo |
Depois de ser abandonada pela mãe, Elisa começou a alimentar esperanças de reencontrá-la viva ou morta. Misturando a realidade do abandono às histórias contadas pelo saudoso avô sobre os carregadores de caixão, entidades sobrenaturais que levam mortos ao descanso final, ela parte em busca de respostas.
No caminho de um dia, ela, que já tem a companhia de Sonhadora, vai encontrar os demais carregadores, fantasmas, bem como pessoas comuns que a ajudarão a descobrir o paradeiro da mãe.
Tinha sido um final de semana incrível! Ele se sentou, pensando no fato de aqueles serem seus últimos minutos ao lado dela. Ela falava-lhe frivolidades, mas ele registrava na memória cada palavra dita, risada, trejeito e cheiro. Queria lembrar de tudo até que voltasse. Deram-se um beijo; despediram-se sob o juramento do reencontro. Queria tanto ficar...
Foi, passou-se a semana. Voltou. Ela não estava lhe esperando no banco da rodoviária.
A antiga parte de Pó não gostava de ser encarada por ninguém. Ela costumava assoprar em ouvidos, atravessar pensamentos correntes e encher o coração de anseios. Mas quando alguém a questionava racionalmente sobre seus ideais, não tinha bons argumentos. No fim era apenas um querer por querer; vontade de buscar ainda que nunca se alcance, tolices para justificar uma vida sem importância. Era uma droga viver sem querer ou importâncias...
Ali de frente à mulher que acabara de reencontrar e se despedir da mãe, levada pela morte nova tinha assuntos a tratar. Havia uma última alça.