14 de janeiro de 2025
Vaza um Grito - Nunes Guerreiro
6 de janeiro de 2025
Poesias de Cícero Alvernaz
A vida é poesia
Não é muito simples definir o que é poesia porque a sua matéria-prima é a beleza das coisas. Em "Poesias" o poeta Cícero Alvernaz parte dessa premissa para nos presentear com reflexões singulares sobre diversos temas. Tudo com muita sensibilidade, beleza e simplicidade.
Poesias é um livro especial, artesanal, que tive o privilégio de receber do autor (autografado e tudo) e que acabei demorando um pouco para terminar de ler. Perdi-o entre outros livros, mas, por estes dias consegui encontrá-lo e voltei à leitura. Melhor dizendo, recomecei a ler. Foi uma coisa boa, uma companhia agradável em uma noite de insônia.
São muitas poesias sobre temas variados como amor, família, Deus, caráter, sentimentos em idade madura, vida e morte, natureza, saudade que nos fazem refletir. Sempre em tom leve, o poeta tece suas considerações que não passam de uma página (um poema por página), o que não significa superficialidade. Cada poesia é marcada por sua data de nascimento, dando ao leitor uma dimensão do ritmo de produção do poeta. A vida parece inspirá-lo. Admiro quem diz muito com pouco e é o caso aqui.
O material é simples, mas de bom acabamento, bem diagramado e corrigido. Tive que terminar de ler para poder dormir.
Fica a breve resenha e a recomendação!
Abraço.
5 de maio de 2023
Os Sete Céus - O Chorar dos Anjos, Livro I
28 de janeiro de 2022
O Cheiro do Ralo
30 de novembro de 2021
10 minutos e 38 segundos neste mundo estranho
22 de setembro de 2021
A Vida Secreta das Árvores
Não acredita? Peter Wohlleben engenheiro florestal e autor de "A Vida Secreta das Árvores" vai te provar que as árvores fazem muito mais coisas do que imaginamos.
Wohlleben trabalhou muitos anos em uma reserva florestal, observando o crescimento e desenvolvimento da floresta ao seu redor. A curiosidade sobre o assunto o fez estudar os tipos de árvores existentes e suas peculiaridades. Tudo isso rendeu o material para "A Vida Secreta das Árvores" um livro voltado para o público comum com a intenção de despertá-lo em relação a preservação da flora de forma geral.
É pelas palavras do engenheiro ambiental, obviamente baseada em dados técnicos, que aprendi que uma árvore plantada por mãos humanas é bem diferente da que existe na natureza. Em outras palavras, o reflorestamento não é suficiente para devolver a floresta o seu estado de antes do desmatamento. É que as florestas nativas funcionam em conjunto; as árvores de uma floresta entendem que são um coletivo e dividem nutrientes e informações entre si para preservar o todo. Não é o máximo? Quer saber outra? A floresta replantada não tem esta capacidade.
Os fungos formam uma rede fininha que conecta boa parte da floresta pela qual as árvores recebem informações sobre chegada de chuva forte, frio intenso ou incêndio. Eis aí a internet delas! E tem mais: uma árvore doente recebe das companheiras energia extra para poder se curar e continuar vivendo. A vida de uma árvore é bem mais longa do que a dos homens ou animais, isso todo mundo sabe. O que é novidade é o fato de árvores de cidade viverem bem menos do que suas irmãs da floresta. No solo urbano as árvores sofrem muito e são comparadas aos moradores de rua!
O autor ainda apresenta dados que dão a entender que as árvores se comunicam, chamam ajuda, se juntam para aproveitar melhor os raios solares. Um dado triste é que provavelmente uma árvore sente dor quando é podada. É como se um braço lhe fosse arrancado. O tronco também diz muito sobre a saúde da árvore e se descascado pode causar a sua morte.
Ah e as árvores são preconceituosas! Uma espécie não gosta da presença de outra. Elas entendem que o outro tipo tomará o seu espaço e faz de tudo para evitar o crescimento do inimigo. Tem árvore que usa nutriente de outra para ficar forte e depois matar quem lhe cedeu energia, crescendo entre galhos até alcançar a altura suficiente para ficar com todo o sol e deixar a outra sem energia.
Tem muitas informações interessantes sobre o mundo das árvores no livro resenhado. Leitura simples, direta e de muita qualidade. Tema em evidência pouco explorado. Eu espero que chegue o dia em que as árvores sejam tratadas como os seres vivos e importante que realmente são!
Fica a resenha e a dica.
Abraço.
21 de julho de 2021
As Cinco Colinas - Arlene Padrão
Qual delas você subiria primeiro?
Sua escolha seria a colina da saudade, do arrependimento, do medo, do sonho ou do futuro? Ficou curioso? Pois não fique! Vou contar tudo sobre "As Cinco Colinas" da escritora Arlene Padrão, livro lançado em junho deste ano. É o primeiro romance da escritora natural daqui de Mogi Guaçu/SP e membro fundadora da Academia de Letras de Aguaí/SP. Ela tem outros livros já lançados, os infantis "O Saci-Cor-de-Rosa", "Um Rabisco no Céu", "Cabeça de Lua" e "Aguaí - Uma Lenda". Ah e tem "O Trem do Tempo" que já resenhei aqui.
A história começa com a apresentação dos personagens principais: o Velho, um senhor que vive isolado em uma humilde casa no campo e Pirata, o seu fiel amigo canino. Vamos conhecendo a rotina dos dois simples amigos e compreendendo que, embora humilde, Stanislaw (o Velho) tem uma vida de trabalho e paz. Bem, essa paz é perdida quando ele inventa de subir alguma colina e revirar suas memórias. O pobre Pirata com seu raciocínio simples, para não dizer correto, faz sua própria reflexão sobre o que escuta. O Velho é solitário, de poucas palavras e de visitas esporádicas à vila, apenas para comprar mantimentos básicos. Ele tem muitos segredos que o leitor vai descortinando conforme avança na leitura.
Nos passos de Stanislaw podemos observar os de qualquer pessoa que tem vários anos vividos. Mais que isso, compreendemos que a vida deixa marcas e que superá-las é necessário para aproveitar o tempo final. É uma lição sobre encarar a si mesmo e terminar em paz.
É claro que a Arlene Padrão não fica apenas no Velho. Ela explora o sítio e seus personagens, certas lendas ou boatos interioranos e descreve um pouco da rotina de ciganos É uma história de histórias de vida. E se tem um problema, se posso chamar assim, é o tamanho. Achei que o Velho tinha mais coisas para contar; que haveria encontros esperados. As colinas, alegarias sobre os sentimentos, são muito interessantes e mereciam mais subidas e decidas.
Em suma "As Cinco Colinas" é um bom romance de estreia. Tem começo, meio e fim bem delineados e ensina. Pode ser curtinho para os mais empolgados como eu.
Fica a breve resenha e a dica de leitura.
Abraço.
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14 de junho de 2021
Todo esse Tempo
Sabe aquele livro meio maluco que tem um enredo envolvente? Que tem uma história mirabolante, adolescente e surpreendente? Pois então! "Todo esse Tempo" escrito por Mikki Daughtry e Rachael Lippincott é exatamente assim. Pelo que pude observar os autores já são conhecidos por histórias românticas doidas. Eles possuem um livro chamado "A Cinco Passos de Você" que se tornou best-seller nessa mesma pegada.
Todo esse Tempo conta a história de Kyle que namora há muito tempo com Kimberly e deseja dar um passo decisivo na relação. O que o adolescente não sabe é que sua namorada tem outros planos para depois da formatura do Ensino Médio. Quando ele descobre, briga com ela. Sai nervoso da festa de formatura, ela vai atrás. Eles entram no carro e sofrem um grave acidente.Louco não é? Isso é só o começo! Kyle fica gravemente ferido, mas quem leva a pior é Kimberly que perde a vida no acidente. A partir daí o adolescente veste o luto, repensa toda a sua vida e tenta superar a tragédia. Não é fácil e ele pensa que não vai conseguir. Até conhecer Marley...
Só para contar mais um pouquinho do enredo, Kyle encontra Marley pela primeira vez no cemitério quando visitava o túmulo de Kim. Essa estranha curiosidade é a ponta do iceberg sobre a nova paixão do protagonista. Ambos vão se apoiar um no outro para superar tragédias. Quando tudo caminha para um desfecho feliz, os autores mudam completamente o rumo da história. Kyle perde Marley para sempre... Será?
Bem, os autores de Todo esse Tempo se esforçaram para surpreender seus leitores e até conseguiram. Nem de longe você vai conseguir acertar o que acontece nas páginas da obra se não lê-la. Isso é bem legal. No entanto, todo esse esforço para escapar do previsível, do natural tem lá seu preço. Há momentos em que a história se torna forçada, programada e com explicações que não são coerentes. Pode ser que eu não tenha entendido direito, mas alguns encontros desconsideram outros e vira bagunça só para dar aquele efeito romântico à trama.
O que não dá para negar é que você vai ficar curioso para descobrir as coisas. O segredo de Marley, o do melhor amigo de Kyle e do próprio acidente do começo da história. Com texto simples, objetivo e bem dosado os autores concebem uma história romântica adolescente interessante. É mirabolante, verdade, mas entretêm. Li rapidinho e gostei.
Leia também e saque o trocadilho infame do nome do livro. Fica a dica e a resenha.
Abraço.
18 de maio de 2021
Um Girassol na Janela de Ganymédes José
19 de fevereiro de 2021
Favela Gótica de Fábio Shiva
Favela Gótica do escritor Fábio Shiva foi lançado em 2019 pela editora Verlidelas e é uma história alucinante. Nele acontecimentos inusitados em uma realidade paralela peculiar misturados à atmosfera degradante levam o leitor a uma viagem inesperada e única. Nas 276 páginas do livro, acompanhamos a personagem Liana ou Lica e as consequências de sua dependência pela droga Z.
A história começa com Liana acordando no barraco que divide com Samara, Galego, Mandrá e tio Biu já sentindo os efeitos da falta do tóxico. Logo surge a oportunidade para descolar algumas hóstias (o nome da cápsula de Z) com tio Biu que pede a ela para busca um tanto de maconha na boca do alto comando dos jacarés (que são jacarés mesmo!) para um playboy qualquer. A ideia era enganar o comprador da massa e usar toda a grana dele para comprar Z para todos do barraco. Contudo, o plano falha, na hora de voltar para o cafofo o playboy percebe o golpe e exige o seu dinheiro de volta. Há confusão, o sujeito morre e Samara se transforma em zumbi. Zumbi é a fase final da dependência de Z em que o usuário fica violento e devora cérebro humano. Liana foge do lugar e é aí que sua aventura começa de verdade.
O texto de Shiva é sem frescura. Ao mesmo tempo que conta a história de Liana vai disponibilizando textos explicativos sobre a ambientação, chamados de "registros akáshicos. No final esses texto que parecem desconexos com a trama central se unem. Isso é bem criativo. Aliás, criatividade é a palavra que bem define o autor, já que seu mundo é formado por criaturas "não humanas" e eventos catastróficos que culminam numa aventura surpreendentes. Espere encontrar de quase tudo no que diz respeito a fantasia e ficção. Considere, também, não fazer ideia do que vai acontecer no capítulo seguinte. Isso é muito bom!
Cada capítulo do livro é aberto com um desenho do autor e uma breve explicação do que encontraremos pela frente na leitura. Fique tranquilo, pois os resumos do que virá não são antecipações substanciais. São mais como um norte mesmo. Outro ponto positivo em "Favela Gótica" é o estado decadente do mundo da periferia. A divisão social que existe é bem nítida e a realidade paralela do livro não é tão distante da nossa nesse quesito. Favela continua sendo favela ainda que tenha jacarés e lobos.
Resumindo: um livro autêntico com uma história envolvente e sem rodeias; de cunho social e fantasioso ao extremo. Com desenhos, explicações, acontecimentos e personagens mirabolantes. Boa pedida para quem assim como eu gosta de originalidade.
No fim ainda vamos saber do que o Z é feito.
Fica a resenha e a dica.
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Abraço!
2 de fevereiro de 2021
Cartas no Corredor da Morte
É um livro curtinho, mas muito interessante que conta a história de personagens centrais/narradores que se encontram no corredor da morte, cujos capítulos simulam cartas escritas de um condenado ao outro. Cartas no Corredor da Morte tem aquele fascínio estranho de compreender o que se passa na cabeça de um serial killer. Neste caso, de dois.
O livro é escrito por duas autoras: Paula Febbe e Cláudia Lemes. A Paula escreve as cartas do Jonny Love, um sujeito viciado em sexo e outros prazeres que vai ser executado em três meses. A Cláudia faz a parte do Steve Gurniak, um russo de certa idade que julga estar numa missão importante; de limpeza e purificação. Tudo começa com Jonny escrevendo para Steve, relatando ser um grande fã e pedindo para que se correspondessem por cartas para "matar o tempo". Relutante de início, Gurniak cede aos poucos e uma amizade doentia começa a surgir daí.
No decorrer da troca de correspondências, nós leitores, vamos descobrindo o que levou cada personagem a cometer os crimes que cometeram; detalhes de vida. Love é mais aberto ao contar suas aventuras enquanto Gurniak é mais reservado, embora orgulhoso. O fato de "a obra" do russo não estar completa é determinante no desenrolar da história. Você começa a ler "Cartas do Corredor da Morte" e não quer parar. Imagina que elas terminarão com a execução de Love, o mais próximo de receber a punição final, mas as autoras têm surpresas interessantes para o final. É uma virada e tanto!
Resumindo "Cartas do Corredor da Morte" é aquele livro que lemos numa sentada. Bem escrito, direto, violento e um pouco excêntrico. Escrito por duas pessoas que concebem personalidades bem pontuais oas narradores/personagens principais. O final, criativo e bem pensado. Ah, na sinopse do livro diz que Paula Febbe e Cláudia Lemes são entusiastas no assunto de serial killer e já possuem carreira consolidada como escritoras do gênero. Isso dá pra notar pela leitura.
Fica a dica e a breve resenha.
Abraço.
26 de janeiro de 2021
O Legado de Avalon - Livro II: A Profecia do Condestável
O segundo livro da série "O Legado de Avalon" do escritor Luiz Fabrício Mendes é uma aventura mitológica e geográfica nos moldes do primeiro livro, mas com novos personagens e um enredo que precisará de mais livros para ser concluído totalmente. Você vai se lembrar que já resenhei o primeiro livro (postagem pode ser lida aqui) e que gostei muito dele.
A história dessa segunda parte da aventura começa considerando tudo o que ocorreu no primeiro livro. É uma digna continuação nos apresentando Aurélio agora residindo com Merlin em uma isolada chácara em Mira Bela, Minas Gerais, onde aperfeiçoa sua técnica de combate e em História. O herdeiro de Arthur sabe que precisa se preparar para a investida de Morgana e Mordred que ocorrerá em breve. Quando inimigos denominados de saxões atacam a lan house em que o menino se diverte com os novos amigos é que os dias de paz na pequena cidade têm fim. A novidade? Morgana se aliou ao antigo povo para capturar Aurélio ao invés de matá-lo. De todo modo, o esconderijo do herdeiro de Arthur foi comprometido e ele deverá fugir, ajudado pela Ordem de Excalibur (um grupo de especial de cavaleiros que protegem o herdeiro de Camelot). Cansado dessa vida "instável", de fuga constante, Aurélio reflete se não há um modo de mudar as coisas. O curioso é que a solução encontrada pelo menino está na profecia da Dama do Lago. O caminho que o jovem trilhará-la a partir daí o levará a grandes descobertas, ao reencontro de amigos, vilões e de Excalibur, encontrada e perdida no fim do primeiro livro.
"A Profecia do Condestável" é o enredo que dará substância à história de Aurélio por mais livros, embora ela seja bem desenvolvida já nesta primeira oportunidade. Compreendemos que as motivações de ambos os lados possuem ligação com ela e que o embate é inevitável. A linguagem utilizada pelo autor é a mesma do primeiro livro, o que é muito bom. Apesar das teorias e profecias não serem muito simples, Luiz Fabrício explica tudo com palavras precisas. Seu conhecimento histórico, mais uma vez, é essencial para o enredo. Percebi, dessa vez, que houve uma preocupação especial com a geografia; boas descrições de cidades e localidades. O destaque fica por conta de a história, em dado momento, se passar em locais bem conhecidos da nossa região, como, por exemplo, a cidade de Águas da Prata aqui do interior de São Paulo.
Resumindo, "A Profecia e a Espada" é aquele livro que aperfeiçoa o primeiro, mesmo sem ter as novidades daquele. Introduz um enredo mais amplo, carrega a história com evolução de personagens, apresentações de outros e de um mundo que ganha forma. Ao final da leitura fiquei com a sensação de que o protagonista amadureceu, mudou de ideia sobre fugir, decidindo-se a tomar iniciativas. Eu espero pelo terceiro livro, ansioso para continuar acompanhando a evolução dos personagens e pelo confronto decisivo.
Fica a resenha e a dica!
Abraço.
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11 de janeiro de 2021
Primeira resenha de ENE
O escritor Paulo Uzai Junior, autor de Éden (já resenhado aqui), fez a primeira resenha do meu livro Extraordinário Novo Eu. Peço licena a ele para compartilhá-la aqui com vocês:
Paulo Scollo, também conhecido como Paul Law, é definitivamente um escritor ficcional. Ele faz jus a profissão de escritor, contando histórias que tem começo, meio e fim e isso, numa época onde os escritores acham-se “gênios”, acreditando revolucionar com “histórias” surreais, às vezes sem sentido algum, ou histórias que se querem engajadas politicamente, Paulo se destaca, pois sabe nos contar uma história coerente, que tenha sentido do começo ao fim e que é supra ideológica. Mais do que isso, assim como J.R.R. Tolkien, criador do fantástico “O Senhor dos Anéis”, Paulo consegue prender nossa atenção do começo ao fim da história. Queremos desesperadamente saber o que vai acontecer no próximo passo. Queremos continuar o drama ou as aventuras do protagonistas e ficamos tristes quando tudo acaba. Ficamos sempre com uma sensação de “quero mais” nos livros do Paulo, assim como em todo escritor que sabe nos prender em suas histórias.
Com “Extraordinário Novo Eu”, recém-lançado livro do referido autor, tudo que disse acima se repete de maneira extraordinária. Seguimos a história por um admirável mundo novo, dominado por high tech e nano robôs. Por conta disso, o cérebro tornou-se uma máquina entre máquinas. Algo modificável pela alta tecnologia. Pode-se assim implantar emoções, habilidades e até mesmo medicação. Tudo por meio do cérebro. Nada mais de aprendizado via livros ou experiência direta. Tudo pode estar ao seu alcance, bastando um download no seu cérebro. Ademais, e o que acho de mais interessante e polêmico nesse novo mundo, são as cabines de teletransporte, que te levam, de maneira praticamente instantânea, para outros lugares. O funcionamento dela é basicamente o escaneamento de todas as células do corpo, gerando um outro corpo no local onde você quer viajar. E o que acontece com o corpo que ficou para trás? É descartado. Aqui está a grande sacada. As pessoas simplesmente morrem nessas viagens, dando lugares a clones perfeitos, tão perfeitos que eles continuam a vida do falecido de maneira natural. Nesse novo mundo, apenas os radicais e loucos falam o óbvio: as pessoas morrem nesse processo e o mundo é habitado por clones. É exatamente aqui que está a grande questão filosófica do livro, qual seja, o que faz nós sermos nós mesmos? São nossas emoções, nossas memórias, nosso corpo? Que que eu posso chamar de eu? Essa, como a maioria das grandes questões filosóficas, não tem uma resposta clara e distinta. Cada filósofo, ou cada pensador que se debruçou nesse problema, tem uma resposta para a questão conhecida como “problema do eu”. Por exemplo, as grandes religiões dizem que o eu é o espírito, ou alma imortal, criada por Deus. Cada um tem a sua e ela é completamente individual, sendo que essa alma imortal será julgada pelo próprio Deus no fim de tudo. David Hume, por outro lado, dizia que o “eu” é um mito, que nada, absolutamente nada o faz crer que realmente temos um eu. Que isso é, em suma, apenas uma convenção social. Após a segunda metade do século XX esse problema ganhou muita força dentro do mundo acadêmico, numa matéria que é conhecida como filosofia da mente. Muita tinta e muita gente inteligente abordou esse tema, sem sucesso para adquirir um consenso intelectual. De qualquer maneira, o certo é que sabemos que temos um “eu”, mas não sabemos como, porquê ou qual sua substância última. Temos indícios, mas nenhuma conclusão comumente válida. Apegamos muitas vezes ao senso comum religioso e só. Não pensamos mais no assunto, porque, no dia a dia, isso nos geraria mais problemas do que soluções.
Embasado nesse grande problema filosófico, seguimos a história de “Extraordinário Novo Eu” com Cássio André, um sujeito comum que tem sua vida completamente modificada após um erro no teletransporte. Esqueceram de mata-lo, logo ficaram com o inconveniente: havia dois Cássio André, um que estava já em casa, e o outro, que não morreu na cabine de teletransporte. Com isso sua vida muda completamente. Entre perseguições de membros do governo responsáveis por eliminar duplos, também conhecido como FAXINA, Cássio torna-se Elias, grande profeta bíblico. Mais do que isso, torna-se membro da IGREJA. Daí para adiante temos muitas reviravoltas e muitas novas descobertas, que não vou contar aqui para não estragar a leitura de ninguém. Contudo o que podemos ver é que o agora Elias vai gradativamente buscando e atingindo a verdade das coisas, de como aquela sociedade, que é tão perfeita e bonitinha, tudo regulado, pesado e medido, na verdade é uma grande fake. Na verdade, é tudo frágil e de papelão. Como que a tecnologia, que avança e avança, vai nos desumanizando cada vez mais, ou, ao menos, vai nos separando do humano natural, do demasiadamente humano. Vamos nos tornando uma espécie de máquinas entre máquinas, que preenche o vazio, ou é preenchido que seja, por um monte de bugigangas, por coisas completamente sem valor substantivo. Somos descolados, alienados de nós mesmos, controlados por forças que não compreendemos direito de onde veem. Eis o Admirável Mundo Novo descrito por Paulo.
Mas como já dizia Nietzsche, quanto de verdade você é capaz de suportar? Elias e Raabe (amiga que o salvou da FAXINA) tem de tomar essa difícil decisão. Permanecer na verdade (ou na busca pela verdade), ou simplesmente se entorpecer com uma vida pequeno burguesa, com a vida de antes. O despertar ou o sono? A caverna ou a liberdade? A pílula vermelha ou azul? Nos parece fácil a resposta, vendo de longe. Todos diriam: a azul. Claro, é fácil dizer que tomaríamos a decisão pela liberdade ou busca pela verdade quando não estamos na pele de perseguidos políticos. Pense em todos os ditos “teóricos da conspiração” de hoje. Tudo o que eles dizem é só conspiração? Será que não há um fundo de verdade naquilo que dizem? E você, se descobrisse uma verdade, mesmo que contrariasse tudo o que todos pensam, diria e a defenderia, ou não aguentaria ser chamado de louco, burro, teórico da conspiração etc.? Questão difícil, mas suponho que quase todo mundo preferiria o conforto de sua casa, com seu vídeo game, séries e redes sociais. É muito difícil escolher o outro lado. Quanto de verdade você pode suportar?
De maneira geral, “Extraordinário Novo Eu” é um livro que te prende do começo ao fim, desses livros que você não para enquanto não termina. Com boas sacadas e citações escondidas (como o salto da fé, em alusão a Søren Kierkgaard), dão um charme especial ao livro. Eu o teria lido numa sentada, contudo li em três dias para poder aproveitar cada pedacinho da história. A única coisa ruim é justamente o tamanho: o livro é muito curto. Mereceria muitas outras páginas, ou ao menos uma trilogia.
Paulo Scollo tem me surpreendido a cada livro. Desde “Ester”, primeiro livro que li dele, até “Extraordinário Novo Eu”, vejo uma evolução tremenda nele como escritor. Ele vem conseguindo, cada vez mais, prender a atenção do leitor, numa história que é ao mesmo tempo empolgante e emocionante, e que também traz questões filosóficas importantes. Acredito sinceramente que esse seria um Best Seller se Paulo fosse um escritor conhecido. Tenho certeza que seria muito bem recebido pelo público em geral. Contudo vemos, infelizmente, que escritores de talento não passam e não são publicados em grandes editoras por conta do próprio mecanismo editorial, que prefere dar espaço para pessoas conhecidas, mas com zero capacidade de escrita, ou até mesmo para “intelectuais” (e bota aspas nisso) que querem inovar, criar histórias engajadas politicamente ou até mesmo bizarrices sem pé nem cabeça. Escritores como Paulo, que querem simplesmente te contar uma história, uma história franca, coerente, que tem começo, meio e fim, não tem espaço nesse mundo editorial, que está falindo por conta dessas opções erradas que eles fazem. Paciência!
Depois dessa, se vocês não adquirirem o livro do Paulo, vocês simplesmente não gostam de literatura, mas sim de qualquer simulacro clichê que as grandes editoras vendem por aqui.
Para adquirir “Extraordinário Novo Eu”:
e-book: https://www.amazon.com/dp/B08R41HYBB...
livro físico: https://loja.uiclap.com/titulo/ua3612/
Aliás, não recomendo apenas “Extraordinário Novo Eu”, mas sim que conheçam a obra de Paulo Scollo, que é um escritor muito talentoso.
Texto retirado da página do Fecebook do autor.
Fica também aqui registrado o meu agradecimento pela resenha e pela leitura. Abraço ao Paulo e aos amigos leitores!
Até a próxima!
10 de novembro de 2020
Éden de Paulo Uzai Junior
16 de outubro de 2020
Duna - Frank Herbert
Em 1965 Frank Herbert publicou Duna, o primeiro livro de uma série de ficção científica interplanetária que viria a se tornar referência no assunto, servindo de inspiração para várias produções cinematográficas, como Star Wars e Star Trek. Na verdade, Duna é um marco da cultura pop, cujos pilares ainda sustem várias produções. O que o livro tem de especial? Talvez sua abordagem política e a visão tecnológica de mundos evoluídos e extraterrestres.
Este primeiro livro conta a história de Paul Atreides, filho do Duque Leto com sua concubina Jéssica. A família que até então governava um planeta cheio de vida chamado Caladan é obrigada a mudar de planeta pelo imperador. Eles vão para Arrakis, o planeta deserto antes governado pelo Barão Harkonnen. No local também conhecido como Duna, Paul descobre que existe um plano entre o imperador e outras casas reais, especialmente a Harkkonen, para exterminar sua família. Então, com apenas 15 anos e com o treinamento especial bene gesserit aplicado por sua mãe, o rapaz terá de enfrentar um mundo hostil e pessoas que querem matá-lo.
Duna é um livro que começa difícil de entender, pois faz uso de muitos termos criados pelo autor sem nenhum parâmetro com o que conhecemos. Expressões como bene gesserit, suspensores, trajes destiladores, gom jabbar aparecem na história sem explicações. No entanto, conforme a aventura avança e os termos se tornam recorrentes, o leitor vai descobrindo por si só do que se tratam. Seita especial de mulheres super treinadas, dispositivo que ajuda pessoas a se locomoverem com agilidade, roupa coletora de água corporal e teste de dor. No final do livro tem as explicações, mas não são necessárias, já que vamos aprendendo enquanto lemos.
O personagem central de Duna, Paul Atreides é bem construído. Sua evolução é gradativa, normal. Nada de ser um sujeito especial desde o início. Ele é impulsivo, imaturo, tem medo. Contudo, o treinamento de sua mãe aliado às dificuldades enfrentadas no deserto o ajudam a entender sua condição e o que precisa fazer. Paul, mais tarde adquire uma áurea messiânica, mas isso não é motivo para enfrentar menos dificuldades.
A povo Fremen, nativo de Duna é tribal, guerreiro, possui sua própria religião e cultura. Aliado a ele o protagonista ganha força e condição de negociar com outras casas (famílias que governam planetas), com a Corporação (a empresa que fornece energia aos planetas) e com o próprio imperador. É nesse ponto que a obra se torna política e bem terrena, explorando alianças, vantagens e chantagens com o intuito de manter, destituir ou aumentar o poder dos governantes. O final da história se dá como resultado de boa articulação política, atrelada a condições favoráveis conseguidas com empenho militar.
Em suma Duna é sem sombra de dúvidas uma obra ficcional incrível com alegorias inteligentes e precisas sobre governo, mercado e exploração de recursos naturais. Escrito lá em 1965, revolucionária e profético sobre a escassez da água. Herbert teve uma visão de mundo a frente de seu tempo, interpretando consequências que não são evidentes nem mesmo atualmente. Com espaço para ser visualmente interessante, fato explorado em outras produções, Duna não se resume a isso. É uma obra que fala muito da Terra e de seu futuro.
Extremamente empolgante, fica a resenha e a dica de leitura.
Abraço.
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