30 de setembro de 2015

Arco-Íris do Núcleo dos Escritores


Treze visões do mundo

Arco-Íris é a primeira antologia do Núcleo dos Escritores. Trata-se de um livro de contos, poesias e crônicas escrito por treze autores de Moji Mirim e Mogi Guaçu. Nele nos deparamos com interpretações singulares da vida e da literatura de forma geral. Uma mistura de cores e ideias, cujo objetivo é dar voz conjunta à imaginação dos escritores regionais. 

O prólogo do livro foi escrito pela autora de "Sombras do Medo", Camila Pelegrine. Em seguida, os textos vêm em ordem alfabética e os capítulos divididos por autores. Eles começam com uma biografia resumida. Temos o escritor André Rodrigues abrindo Arco-Íris com o seu conto "O Calango e o Pedreiro" e seguimos com Atahyde Martins com suas poesias e contos, destaque para o conto "O Mistério de Pedro Virgem". A já citada Camila Pelegrini escreveu três contos. Ênfase para "Verdade ou Desafio". O poeta da Academia Guaçuana de Letras Cícero Alvernaz deixou sua marca, principalmente com o conhecido poema "Artífice dos Sonhos". Além dele, Dorothi Fernandes, escritora de Moji Mirim, fez poesia com Lembranças, Mistérios e Caminhos.   

Merece destaque a participação da conhecida escritora Fátima Fílon com sua "magia" de sempre. O poema "O Atalho da Vida" de sua autoria é de tamanha beleza, simplicidade e mensagem que impressiona. O Arco-Íris segue com os textos sombrios de Joseph Martins que logo são abrandados pela poesia atenta de Eliana Silva. Depois vêm Luiz Antonio Padovani e Luís Henrique da Rocha Campos, assim como a poetisa das águas do Mojiguaçu Maria Ignez Pereira. O livro vai fechando com os meus contos e do poeta Paulo Tristão. Tudo acaba co o epílogo de minha autoria. 

O livro é bonito, a capa bem feita pela artista Ana Paula Souza. A impressão da editora Ixtlan e a diagramação de Márcia Todeschini também estão boas. Os textos mereciam uma edição mais cuidadosa, mas isso não tira o mérito do grupo em idealizar e concretizar a obra em conjunto. Leitura multifacetada e agradável que serve de incentivo aos outros tantos autores vizinhos que ainda não realizaram o sonho de estar em um livro. 

Fica a resenha e a dica.
Abraço.                

28 de setembro de 2015

A Paz do Homem


Quando alguém deixa de existir é comum ouvirmos a expressão “descanse em paz”. A interpretação que me vem é a de que para ter paz é preciso morrer ou pelo menos descansar. Daí, alcanço a dedução de que é difícil alcançar a paz. Indo mais longe é quase uma utopia pensar em paz verdadeira e já explico os meus motivos.

Nossos dias são tomados por várias tarefas. A maioria delas é necessária para se alcançar determinado objetivo. Um curso para uma profissão rentável; um trabalho bem feito para uma promoção na empresa; uma poupança para um carro melhor; um investimento para aumentar a clientela. Nada é feito à toa. Sempre que fazemos algo, imaginamos colher os frutos das nossas ações e quando isso ocorre, sentimos o que chamamos de realização, satisfação, sucesso, felicidade. Há muitas palavras, mas não há paz.

Para haver paz é preciso existir o que temos no sono ou (quem sabe?) na morte: despretensão. Já reparou? Quando dormimos não pensamos nos benefícios de uma boa noite de sono, embora eles existam. Adormecemos e pronto. O ato de dormir exaure-se em si mesmo. Em outras palavras, adormecer é adormecer, nada além disso. 

Podemos levar esta premissa à Natureza. Nela não existe acontecimentos prévios, cuja necessidade seja conscientemente justificada para a obtenção de outra coisa. Apesar de sabermos que é preciso chuva para florir; que é necessária terra boa para a semente ser convertida em planta, tanto a planta quanto a semente não possuem a capacidade de pensar que se não ocorrer chuva, se não existir terra apropriada, não haverá existência. As coisas simplesmente acontecem e vão continuar acontecendo. O vento venta e só. Por isso, ele está em paz.

Tal qual o vento que é o que faz, deve ser o homem em paz e é por isso que é tão difícil sê-lo. O homem não sabe o que fazer; não achou sua natureza e cada vez mais se distancia do caminho que poderia levá-lo a ela. O contrário a paz, obviamente é a guerra, a violência, a insanidade, muitas vezes vestida de hipocrisia. Neste contexto, o homem simula a paz. Os mais sensíveis percebem que há algo de errado no Mundo, embora não possam afirmar o quê. Eles acabam sendo contaminados pelo tempo em que vivem e se tornam grandes hipócritas. Então se frustram; não desejam ser falsos, artificiais. É contra a natureza humana fingir; é contra a natureza do universo. É contra a paz. É por tudo isso que o homem só alcança a paz em sonhos ou nos braços da morte.



Texto originalmente publicado pela revista Vara do Brasil Especial: Paz na Terra e no Coração. Eis o link para baixá-la:


  

24 de setembro de 2015

Tomo XVII - A morte de Xamã


Toda vez que era gravemente ferida, Mae sentia a dor de morrer, mas nunca era o sofrimento derradeiro. Ali, sendo baleada, ensanguentada, quebrada em vários lugares preferia a morte. Os ouvidos úmidos identificavam a euforia, a crueldade. Novos tiros, abriam novas feridas. Os olhos ainda identificavam o mestre sendo fuzilado. Ocorreram sucessivas perdas de consciência. 
Quando o cérebro conseguiu se manter ativo por tempo considerável, identificou amarras, nudez e praça pública. Estava no canto esquerdo, no centro Xamã. Dançavam lá embaixo, era noite. 
Uma festa. O que aconteceu com Damian e os outros bandidos? Bruce, aquele traidor. Um homem de farda branca notou que ela recuperara a consciência e se aproximou.
— Que bom que acordou, docinho. Não queríamos que perdesse a melhor parte da festa. 
Xamã mantinha-se inconsciente, os joelhos dobrados. Mae o chamou, em vão. As pessoas riam e apontavam para ela. Alguns jogavam pedras. Quando uma a atingiu na testa, o filete rubro voltou a escorrer do seu rosto. Sentiu vontade de chorar, não era forte o suficiente. 
A euforia aumentou, Roland Morrison subiu ao palco onde estavam os bandidos. Ele vestia um terno dourado, cuja estrela prateada reluzia na parte esquerda do peito. A gravata borboleta também era amarela, o chapéu: branco. Pediu silêncio. 
— Povo de Prime, boa noite. Temos aqui dois bandidos, um inclusive, o mais famoso deles: Xamã — apontou para o homem inconsciente. — Nós os pegamos com a ajuda de um deles, agora preso a fim de ser julgado posteriormente. Quanto a estes dois, pensei em fornecer a vocês a possibilidade de julgá-los. 
As pessoas que ocupavam toda a praça manifestaram contentamento. Morrison pediu silêncio.
— Xamã e o seu pessoal saquearam várias cidades. Mataram muitas pessoas. Hoje é o dia de pagar por isso. Minha pergunta é: devo executá-lo em praça pública ou não? 
Um terrível e sonoro sim invadiu os ouvidos de Mae Dickson. O som alto despertou o líder dos bandidos que não compreendeu o que estava acontecendo. 
— Muito bem — continuou o xerife — Primeiro ele ou ela? — apontou para os pistoleiros amarrados.
— Ele! — gritaram todos.
Mae se debateu inutilmente, enquanto gritava a palavra não. Xamã, por sua vez, ergueu o queixo e encarou a morte de frente. 
— Tragam-me a espada — falou Roland. 
Mais euforia enquanto um policial se aproximava com uma catana envolvida em um pano vermelho. 
Roland ordenou:
— Tirem-no do poste. 
Os policiais desamarraram Xamã do pau de arara e amarraram suas mãos para trás. Deram um chute em suas pernas para que se ajoelhasse. Mae chorava, proferia palavrões. 
— Eles vão chutar a sua cabeça! Vão destroçar o seu corpo imundo, sabe por quê? Porque são furiosos, violentos e egoístas. Cadê os seus poderes místicos agora, Xamã? 
Então o líder dos bandidos virando o pescoço para poder ver ainda que de soslaio o seu algoz, disse:
— Você terá o meu corpo, mas jamais o meu espírito! 
— Eu não preciso mais do que da sua humilhação. O que acontecerá aqui, servirá de exemplo para outros como você — ele desembrulhou a espada do manto branco.
O xerife de Neo Texas ergueu a arma branca e mirou o pescoço do homem nu em sua frente. Com as duas mãos em riste, esperou por uns segundos. Depois desceu o braço e a espada com violência, mas não conseguiu desprender a cabeça do corpo. O sangue espirrava a cada tentativa de respirar que Xamã realizava. Houve espasmos que Morrison acompanhou pacientemente. O líder dos bandidos rastejou sobre o próprio sangue por um tempo, mas depois parou de se mexer. 
A multidão bateu palma e gritou para que fosse arrancada a cabeça. Morrison se abaixou e agarrou os cabelos do caído. Passou a lâmina sobre o ferimento aberto e a friccionou para terminar o seu serviço. Levantou a cabeça de Xamã. Pouco depois, jogou-a à plateia. 
Eles brigaram entre si para chutar o pedaço do executado. Mae já não tinha mais lágrimas e sabia que seria a próxima. Por mais que desejasse ter uma postura digna, tal qual o seu mestre, sabia que não conseguiria. Tinha certeza, também, que por ser mulher a sua sentença teria partes extras. E se a jogassem à multidão enlouquecida?
Quando a sua mente alcançou esta dedução, um disparo espalhou os presentes. Gritos, a cabeça de Xamã desfigurada abandonada sobre a areia.
Um bandido foi avistado em cima do telhado do bar. Policiais sacaram suas armas e dispararam contra ele. Roland ao perceber que estava sendo atacado, deixou o palco por entender que o local era um alvo fácil. Seguido de outros policiais foi se abrigar em um lugar seguro. Em outro local outro disparo foi ouvido. Dessa vez um projétil atingiu o peito de um policial distraído. 
Mae não soube dizer de onde Damian surgiu, mas não conseguiu conter o alívio em vê-lo. 
— Aquele filho da puta — Wayne dizia enquanto desamarrava a companheira. 
A pistoleira o abraçou com forças que até então julgava não ter. 
— Vamos sair daqui. Coloquei os novatos para distrair os policiais. Ao final desta noite seremos só nós dois.

22 de setembro de 2015

Arco-Íris chegou

O autor Cícero Alvernaz exibe o seu exemplar

O Núcleo dos Escritores recebeu no dia 20 de setembro de 2015 a sua primeira antologia literária, chamada "Arco-Íris". Treze escritores da nossa região participam deste livro com crônicas, contos e poemas. A própria capa foi desenhada por uma artista daqui. Uma mistura de cores, de gerações e de forma de interpretar a vida que tenho a honra de fazer parte. 

O livro está muito bonito, como se pode observar da imagem cedida pelo escritor Cícero Alvernaz. Eu já li. O grupo se reunirá em breve para definir o lançamento. 

Fique de olho. 
Abraço.      

18 de setembro de 2015

Revista Varal do Brasil especial sobre a paz

ESP PAZ NA TERRA

A Revista Varal do Brasil existe desde 2009. Ela é famosa por conceder espaço aos escritores, sejam conhecidos ou anônimos Está estampado nas capas da revista: "Literários, sem frescuras!". Acho que é por isso (também) que gosto tanto da ideia. O projeto tem por premissa divulgar a literatura nacional na Europa além de valorizá-la. Eu já participei da edição de natal de 2011 com o conto "O Natal de Helena" e agora estou na especial sobre a paz que acabou de sair. Que baixar a revista? Eis o link:

http://varaldobrasil.ch/revistas/varal-no-37b/

Há muitos autores interessantes nesta revista. A própria editora-chefe e idealizadora do Varal Jacqueline Aisenman está lá. A minha participação tem o título "A Paz do Homem". Fica a dica de leitura para o final de semana e o agradecimento ao Varal do Brasil pro mais uma vez me conceber um espacinho em sua publicação. 

Leia as  outras revistas virtuais, conheça mais sobre o Varal do Brasil, participe com os seus textos:

http://varaldobrasil.ch/

Abraço.
      

15 de setembro de 2015

O livro físico de Estela já está disponível



Como havíamos anunciado, hoje, 15 de setembro de 2015, está à venda pela internet e pela livraria Lê&Cia. de Moji Mirim o livro físico de Estela. Estes exemplares estão revisados e corrigidos e diferem um pouco da versão beta. 

A principal diferença consiste na adição de texto narrado no "mundo real" com a intenção de embasar o enredo no mundo de fantasia. Por outro lado, alguns pontos foram simplificados ou focados na personagem principal da história. Bem, é isso. Espero que apreciem Estela. Segue os links de compra do livro físico pela internet, através das minhas lojas virtuais no Facebook.



Likestore:

Livros Indie:

Amigos da região podem passar na Lê&Cia para conferir o livro. Eis o endereço:
Avenida Coronel João Leite, n° 16, Centro, Moji Mirim/SP.

Grande abraço.