30 de maio de 2022

Exposição de Mandalas do Zep


 

Até hoje, 30 de maio de 2022, rola no hall principal do Centro Cultural de Mogi Guaçu a Exposição de Mandalas do artista plástico Zep (José Pereira de Souza). O artista é conhecido por todo ano homenagear inúmeros colegas de arte com o Troféu Arte em Movimento (que ele mesmo criou e que sempre tem um formato novo!). 

São mais de 30 trabalhos do Zep que a gente pôde admirar nesses dias de exposição. Eu tirei algumas fotos, quer ver? 






Eu e meu amigo companheiro da AGL Jamelão


É daqui da cidade? Ainda dá tempo de ver! Não é? Logo tem mais! 
Fica o registro. 

6 de maio de 2022

Demônio Corajoso



Entra Corajosa, trajando ainda sua armadura de papelão. Ela abraça Famosa. 

— Adeus, Benjamim! — diz Famosa. 

Ela sai do palco pela direita.

— Então é agora? — pergunta Benjamim 

— Não sei — Corajosa dá de ombros, circulando a cadeira. — Morte é um processo. Quando ele estará concluído é mistério. Estou aqui para te preparar para ela. 

— E há como?

— Com certeza já ouviu falar de dignidade. Tal termo tem vários significados; palavras que agradariam a Famosa. Eu penso em dignidade como merecimento. Você merece uma boa morte? Quando chegar o último dia, você estará preparado? Não terá medo? Olhará nos olhos de Extinta de Umavez e dirá firme: venha, estou pronto? É preciso coragem para findar-se. 

— Sim, eu penso isso. Acho que não sou digno. Você sabe dos receios que me povoam. 

— Estou aqui para que seja. Você aceitou se aventurar comigo, certa vez. Hoje devolverei o favor e esperarei contigo a chegada da última hora. Não tenha medo, Benjamim! Depois da pior dor vem o alento, após a inspiração a expiração; da noite, nasce o dia. Coisas se transformam em outras coisas, estão evoluindo. Morrer é evolução. Está confortável em sua cadeira, está preparado para a ocasião. Erga a cabeça e espere. Eu estou pronta — Corajosa saca sua espada de madeira. 

Começa a tocar “Marcha Fúnebre de Frédéric Chopin.


Trecho de Respeitável Benjamim

4 de maio de 2022

O clipe de "As Sombras São"

Gosta de rap? De reflexão? Então, a música "As Sombras São" do grupo Inspirados Rap Nacional é uma boa pedida. Os meninos aqui de Mogi Guaçu estão na estrada já faz um tempo, sempre cantando a realidade social em que estão inseridos e provocando o nosso pensamento. É muito legal acompanhar a evolução do grupo e o seu destaque no cenário cultural regional. 

Talento não falta, olha só:

 

A realização do clipe musical teve apoio da Secretaria Municipal de Cultura de Mogi Guaçu e de recursos financeiros advindos da Lei Aldir Blanc. 

Não ficou o máximo? Curta o vídeo, inscreva-se no canal dos Inspirados Rap Nacional.
Abraço.    

8 de abril de 2022

A cidade onde moro



A cidade em que passo os dias não é grande o bastante nem pequena o suficiente. Ela tem um quê de rio (que leva o seu nome!) e uma ponte de ferro antiga, vermelha, bem bonita. Continuará, tenho esperanças, a crescer bastante e diminuir o suficiente. Crescer em oferecer aos seus moradores oportunidades e boa vida; diminuir em relação à violência e desigualdades. Ah, e que o seu povo, a parte dele que ainda não é, possa ser mais tolerante, amigo e acolhedor. 

Quando penso em acolhida me lembro dos amigos que fiz aqui, vizinhos, grandes historiadores, poetas, escritores, dançarinos, filósofos e os mais importantes: só amigos. Toda gente aqui, tal qual o rio é para a cidade, tem o seu quê. 

E nós vamos passar pela vida igual as águas do Mojiguaçu passam sob a Ponte de Ferro. O que fica? Mais lembrança, menos futuro. 

E é bom que seja assim.


18 de março de 2022

Sem Sapatos



Ele afastou as flores murchas que ainda estavam grudadas em seu terno azul-claro, ajeitou a gravata cinza que estava sobre a camisa branca, conferiu se os joelhos voltaram a dobrar (que calça apertada!) e se levantou. Foi um movimento exagerado que quase o lançou ao céu. 

Olhando melhor para si mesmo, achou gozado o fato de trajar meias pretas, mas não sapatos. 

Os passarinhos piavam perto, o vento, quase visível o atingiu com força capaz de movê-lo. Segurou-se em uma árvore enquanto a gravata se movia desgovernada na frente do rosto. Batia contra o seu nariz, boca, emitindo som exagerado. Aliás, quem tinha aumentado o som do mundo? E qual era a intensão do vento? Bem, o vento queria levá-lo, dividi-lo, multiplicá-lo. Ele entendeu que a ideia da brisa forte era boa, afinal ele era coisa e coisas se transformam em outras coisas somando-se, dividindo-se. No entanto, ao final, continuam coisas. 

Isso, faltava-lhe alguma operação matemática!

Ou só sapatos...