27 de maio de 2014
Resenha de Rainha do "Literatura de Cabeça"
21 de maio de 2014
Em Chamas
Viva a revolução!
O segundo livro da trilogia “Jogos Vorazes” de Suzanne Collins é chamado aqui de “Em Chamas”. Já falamos do primeiro Jogos Vorazes na postagem que pode ser lida aqui. Nesta continuação da aventura de Katniss Everdeen a autora trabalha mais a questão social e ideológica do mundo futurístico que concebeu.
Atenção, esta resenha contém sapoiles do que acontece em “Jogos Vorazes”. Se pretende ler o livro 1, sugiro que não leia as informações seguintes. Entretanto, se não se incomoda com isso, fique à vontade. Katniss e Peeta os dois tributos do Distrito 12, vencedores dos Games da Capital, agora visitam cada Distrito do Panem. Trata-se da “volta dos campeões”. Nessas viagens a dupla acaba descobrindo que o resultado inesperado que obteve na arena, influenciou as pessoas. Nunca uma dupla havia saído dos Games, afinal, os Jogos Vorazes tinham por objetivo formar apenas um vencedor. Aquilo foi inusitado, um desafio à Capital e ao presidente Snow.
O ano é propício para a Capital agir, já que é comemorativo aos 75 anos da instituição dos Jogos Vorazes. De 25 em 25 anos é organizado um game especial e a próxima edição está marcada para ser assim. A característica marcante desses games comemorativos é alguma regra nova. A para a edição atual que comemorará os 75 anos dos jogos é a volta dos campeões de cada Distrito á arena. Foi o jeito que a Capital arrumou para tentar matar Peeta e Katniss de uma vez por todas.
Neste segundo livro Collins enfatiza o poder do povo contra um governo tirano e violento. Diferente do primeiro que tinha a intenção de mostrar a violência dos Games e a submissão das pessoas, este trabalha a “volta por cima”; o surgimento da vontade de mudar as coisas. A relação da personagem Katniss e o seu companheiro de jogo Peeta continua confusa. Ainda há o “amigo de infância” Gale. Esse triângulo amoroso meio que estabelecido no primeiro livro persiste e não evolui, o que se torna cansativo. A questão visual ainda é forte nas páginas de Em Chamas. Maquiagem, vestido, botas, cabelo e outros apetrechos e frivolidades tomam boa fatia da leitura. Isso também já se tornou cansativo e temo que persista, assim como o triangulo amoroso no terceiro e último livro da saga.
Em suma, Em Chamas cumpre a sua missão. Propicia uma leitura de entretenimento competente e deixa sua mensagem de que o poder emana do povo e dele depende (já leu isso em algum lugar?). Talvez comece a estagnar os elementos apresentados no livro anterior, mas conclui com uma ponta muito boa para o terceiro livro, tal qual ocorre no final do primeiro. Você também vai ficar com vontade de ler o último livro.
Fica a resenha e a dica.
Abraço.
15 de maio de 2014
Copa, sala, cozinha? Pra onde vamos?
7 de maio de 2014
O Dia do Curinga de Jostein Gaarder

Um grande jogo de alguém
Jostein Gaarder é um autor norueguês já famoso por conta de um livro chamado “O Mundo de Sofia” (já comentado aqui). Filósofo-escritor ou escritor-filósofo, sua história da pequena Sofia nos convida a refletir sobre a própria existência. Isso também acontece em “O Dia do Curinga”.
O Dia do Curinga foi publicado originalmente em 1990, ou seja, é mais velho que o seu irmão famoso O Mundo de Sofia de 1991. Algumas ideias contidas nele se repetem com Sofia, mas a ótica é outra. Não me cabe contar mais sobre isso para não estragar a leitura de ambos os livros. O que fica é o fato de em ambos a Filosofia exercer um papel crucial na vida dos personagens.
O livro conta a história da viagem do menino Hans-Thomas com o pai no intuito de reencontrar a mãe que o abandou há oito anos. A procurada que se chama Anita saiu de casa para tentar se encontrar e, segundo informações colhidas pela dupla, está atualmente em Atenas trabalhando como Modelo. A viagem segue para a Casa dos Filósofos.
No caminho, Hans-Thomas ganha uma lupa de um anão, passa por um curioso vilarejo, conhece um estranho padeiro e recebe dele pães. Num desses pães está um minúsculo livro que, com a ajuda da lupa do anão, vai lhe contar uma fantástica história sobre uma ilha mágica, cartas de baralho que ganham vida e bebida que não pode ser experimentada mais que uma vez. A partir daí temos duas histórias: a do menino Hans-Thomas na busca pela mãe e a do jovem Albert, personagem principal do livrinho, na ilha mágica. Conforme ambas as histórias avançam, descortina-se a relação surpreendente entre elas e também as influências. Como num jogo místico de cartas, é possível prever o futuro.
O autor insere nas páginas da obra de forma sutil os conceitos filosóficos que tanto lhe agradam. Não se trata de aula de Filosofia, como pode ser interpretado de sua obra mais famosa. Aqui as questões existenciais tem um propósito mais prático, mais perto da realidade dos personagens. Há uma busca, há curiosidade e há o descobrimento. O que fica, agora, talvez, tal qual nas páginas que sustentam Sofia, é a dúvida. Como se dá a Criação? Qual é a verdadeira relação entre Criador e Criatura? Existe sorte ou somos todos sortudos? Ciclos, o que isso quer dizer? Tudo isso e muito mais são assuntos para o dia do Curinga.
É excitante para um leitor perceber que ao final da sua experiência, algo ficou. Que existe mais para ser entendido; que não se trata de um livro fim, mas meio. Jostein parece ter esta característica como autor e daí pode ser classificado como um filósofo-autor. Ele nos faz pensar e querer saber; incita-nos com sua forma simples e direta de contar. O Dia do Curinga é recomendadíssimo para todos aqueles que desejam ver as coisas de uma forma nova; consciente e surpreendente. E você, já sabia que As 52 cartas do baralho (tirando os curingas) simbolizam o número de semanas do ano e, se você somar os valores de cada carta e depois somar 1 (curinga) o resultado é 365, a quantidade de dias do ano?
Fica a resenha e a dica.
Abraços.
28 de abril de 2014
Encontro Especial
No último sábado, na nossa reunião mensal da Academia Guaçuana de Letras, recebi um presente especial. Minha professora do Curso de Capacitação Profissional da Guarda Mirim de Mogi Mirim do ano de 1998 esteve presente! A Dona Conceição, como a chamávamos, uma mulher inteligente, engajada com as causas sociais e atualmente coordenadora do Núcleo de Ações Literárias de Mogi Mirim, foi visitar a AGL para conhecer um grupo literário.
É sempre gratificante estar com as pessoas que nos ensinaram algo importante. Foi exatamente isso que aconteceu comigo. A Dona Conceição esteve presente em outros momentos da minha vida também; quando já mais adulto, em 2004, participei com ela do Projeto Campeão, iniciativa social voltada ao público adolescente. Fui voluntário com muita honra!
Nos dias de hoje ela trabalha com o CECOM (Centro Comunitário da Vila Dias). Continua ajudando os jovens e adolescentes a terem uma profissão e também se desenvolverem culturalmente. Agora também recebe os pais dos adolescentes. Não me surpreenderia se estes pais fossem os meus companheiros adolescentes da Guarda Mirim ou do Projeto Campeão, agora crescidos e ainda amparados pela Dona Conceição. Que trabalho bonito o dela.
Marcamos o encontro com retratos e literatura. Ela levou para casa todos os meus livros publicados. Veja algumas fotos:
Obrigado, Dona Conceição. Espero que possamos desenvolver algum projeto juntos.
Abraço.
22 de abril de 2014
Wayne de Gothan
É mesmo o Batman!
Tracy Hickman se incumbiu da árdua missão de transportar o famoso Homem-Morcego da DC comics para o mundo da literatura. Uma marca importante da cultura pop estadunidense e também mundial, Batman está nos quadrinhos, nas animações, nos cinemas e nas gôndolas de todo tipo de comércio. Agora também nas estantes de uma livraria. O título que você deve procurar é “Wayne de Gothan”.
Hickman é conhecido no país do Tio Sam por conta da série Dragonlance que co-escreveu com Margaret Weis. Diferente deste universo fantástico que criou escreveu, o autor em “Wayne de Gothan”, não teve muita liberdade para trabalhar. É que o Batman já tinha toda uma história, consolidada ao longo dos quase oitenta anos de publicações. Contudo, se saiu bem no final das contas, afinal o livro estrelado por Bruce Wayne é razoavelmente fiel aos principais acontecimentos cronológicos relatados nos quadrinhos. Há espaço para coisa nova também.
Tudo começa quando uma onda de crimes abate Gothan City. Ela envolve alguns vilões clássicos como o Espantalho, Coringa e Charada, mas também o próprio Batman. O Homem-Morcego está sendo procurado por ter atirado na filha do comissário Gordon e a aleijado, como aconteceu em “A Piada Mortal”, mas com o Coringa como autor do crime. O pior que o próprio Comissário de Polícia alega ter visto Batman cometer o crime. Muita gente alega ter visto muita coisa que não corresponde à verdade. Há algo de errado com a população de Gothan e cabe ao “Maior Detetive do Mundo” solucionar o que é.
Paralelamente somos apresentados ao jovem Thomas Wayne que no futuro viria a ser o pai de Bruce Wayne, o nosso Batman. Este personagem que sempre foi envolvido pelo mistério; que sabemos apenas ter sido um competente médico e filantropo, pouco ligado às Empresas Wayne, se descortina surpreendentemente. Sua relação com o pai, este sim o empresário por trás do sucesso da empresa da família, sua personalidade, seu senso de justiça e o seus sentimentos nos são mostrados ao mesmo tempo que a investigação de Batman o revela a mesma coisa. A alma da história está justamente na relação do passado com o presente, nas revelações sobre quem foi verdadeiramente o pai de Bruce Wayne e o que ele fez.
Batman não é este menino malhado que aparece nas publicações recentes da DC comics (Novos 52). Parece mais com o Batman que tínhamos antes da reformulação da editora de quadrinhos, sisudo, frio, sozinho e já cansado para o trabalho que realiza. Os brinquedos tecnológicos devem ter vindo dos games atuais do Homem-Morcego, assim como a sua bat-roupa, aqui mostrada como um exoesqueleto do dia das bruxas que aumenta a força e a agilidade de quem o usa. Só que nem tudo são flores: a roupa precisa de carga elétrica para funcionar o o nosso herói por algumas vezes sofre com a falta de uma tomada. Imagine só: velho para usar malha e cueca por cima da calça, mas forte o suficiente para movimentar uma roupa especial que “endurece” por falta de energia. O Batmóvel do livro também é bem criativo. Trata-se de um carro que percorre os trilhos do metrô de Gothan e não é visto toda noite nas ruas. Não possui luzes nem vidros, parecendo um grande rato negro a jato. Isso assustaria os vilões, não acha?
Wayne de Gothan retrata o passado e o presente da família Wayne e sua contribuição para a atual situação de Gothan. Um livro rápido, intrigante, forçoso em alguns momentos, mas de grande valia para qualquer fã do Cavaleiro das Trevas. Mesmo para quem não é chegado em super-herói, pode perder um tempinho com uma leitura de entretenimento. Fica a resenha e a dica.
Abraço.