6 de fevereiro de 2017

Você pode ganhar a edição clássica de Ester!




É isso mesmo! A promoção que sorteia exemplares do livro Ester 1ª edição está de volta. Para concorrer é muito simples:

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- Aguarde o sorteio que será no dia 06 de março. 

Lembrando que todos os seguidores da página concorrerão. Se o sorteado já tiver ganhado o livro, será realizado um novo sorteio. 

A ideia é prestigiar os amigos. Seja um, participe! 
Abraço. 



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1 de fevereiro de 2017

A Hora da Estrela - Clarice Lispector


A vida é um soco no estômago 

A Hora da Estrela é o último romance de Clarice Lispector. Narrado por Rodrigo S.M., alter-ego da importante escritora modernista, conta a história de uma nordestina. Não linear de linguagem complexa e de divagações pontuais, A Horta da Estrela é uma obra única, constituída em sua maioria por texto introdutório. Arquitetada de forma não convencional, já que o autor/narrador intercala a apresentação do tema com suas próprias conclusões, a Hora da Estrela é sutil, intensa e profunda. 

Tudo começa com o próprio Rodrigo dizendo que pretende contar a história de uma nordestina que veio ao Rio de Janeiro em busca de vida melhor. Enquanto vai apresentando sua personagem e o mundo no qual está inserida, vai dando detalhes de si mesmo e como sua visão interfere no próprio destino de Macabéa (este é o nome da alagoana, personagem principal do livro). O ponto em que deixamos as divagações do autor e adentramos verdadeiramente na vida de Macabéa é leve, sutil, quase que natural. As histórias se ligam facilmente. Rodrigo interrompe por várias vezes o relato que faz da vida da nordestina a fim de contar algo alheio, mas retoma a narrativa naturalmente. Há ocasiões em que salta no tempo, regride, costura, interrompe, de modo que o entendimento do seu leitor se torne fragmentado. Passa-se muito tempo anunciando uma grande história, um ápice, clímax, a hora da estrela. Quando ele ocorre, no entanto, é como um soco no estômago. 

Clarice escolheu uma personagem invisível aos olhos do mundo para dar-lhe voz e importância. Entalhou com maestria traços de realidade no lúdico, na arte. Há um processo de embelezamento  em A Hora da Estrela. Olhos atentos... Macabéa sempre soube o seu lugar no mundo e estava bem com isso. Só ideias alheias puderam lhe trazer novos pensamentos (sua desgraça ou salvação) Ao final, o que permanecesse são os momentos que nunca são vividos, a esperança (todo mundo tem esperança).

Um caminhão, um momento de glória e mais nada. 

A Hora da Estrela é um livro curto, intenso e perturbador. Complexo por sua construção, belo por natureza. Confesso que nunca havia lido algo assim. 

Fica a resenha e a dica.   


27 de janeiro de 2017

Dom Casmurro mais uma vez



Quando comecei a me interessar por livros, estabeleci algumas regras básicas. Uma delas era a de não ler mais de uma obra do mesmo autor, posto que há tantos autores e tantos livros que minha vida seria insignificante para conhecê-los. Com esta "lei de sobrevivência" acreditei que aproveitaria os meus anos da melhor maneira possível. Contudo, não tardei a descumpri-la; a cometer o crime de ler mais de um livro de mesmo autor. Os motivos para a infração são óbvios: quando um autor nos agrada, desejamos lê-lo novamente. Aqui mesmo verá que há autores recorrentes, mas ainda não houve livros.

Até agora.

Peguei-me relendo Dom Casmurro. Primeiro algumas partes para matar a saudade, depois para conferir se o tempo me havia dado olhos novos, assim como as leituras capacidade de compreender além. Verdade não mudei muito, mas o pouco basta para um novo texto sobre a obra. Talvez mais de um. Isto nem é importante, já que uso o espaço de hoje para justificar um futuro texto (que talvez nem chegue a ganhar publicação). Nas páginas do próprio Dom Casmurro há muitos capítulos introdutórios, fomentadores de expectativas que muitas vezes não passam disso mesmo: expectativas.

Entretanto, o amigo que veio até aqui não sairá de mãos vazias. 

Algo que esta nova leitura me fez compreender foi que Dom Casmurro não é uma obra sobre a intolerância. No introdutório da edição que reli, começa-se afirmando que trata-se de um romance sobre intolerância. Peço desculpas ao nobre pesquisador que assim o definiu, mas se fosse possível definir Dom Casmurro com uma frase, aos meus olhos, seria como um romance que trata do psicológico do ser humano. Neste campo, creio ser adequado estabelecê-lo. Os motivos são sutis, um contraste à intolerância. Inicialmente, justificam-se pela própria narração, os olhos de Bentinho distorcidos pelo tempo, pelas emoções e pela imaginação. Quem pode atestar, afinal, que ele é honesto com seu leitor? Escreve um diário de fato, mas há segredos que não confiamos nem mesmo às páginas particulares. Mesmo que pense diferente é certo que Santiago tem intenção de ver suas memórias publicadas. O amigo que me acompanha crê que não interferiria na própria história para dar-lhe mais brio aos olhos alheios se tivesse oportunidade? Há muito subjetivismo nas páginas de Dom Casmurro. 

Assim, há de se ponderar que a intolerância, o sentimento de não aceitar; não crer na possibilidade; repudiar, ser avesso, contrário, não pode existir sem que o narrador se convença de que exista. Convencer a si mesmo é a parte mais difícil e eis aí o objetivo em "unir as duas pontas da vida". Parte da riqueza do texto está contida aí; na verdade que nunca poderá ser elucidada. 

Disse que não sairia de mãos vazias, mas nem cheias. Apenas uma opinião de leitor.

Talvez uma terceira leitura seja necessária.                 

23 de janeiro de 2017

Crônicas de Ester: O Pedido de Ádria


O pedido de Ádria

Jorge era exímio lutador, mas não era páreo para todos os demais cavaleiros virtuosos. Venceu alguns com sua espada, feriu outros, mas logo teve sua arma desprendida do braço. Rendeu-se. Miranda acompanhou tudo apreensiva.
— Ela escolheu a mim! — argumentou o líder.
— Não a ouvimos dizer isto.
— Pois diga, Miranda. Diga a eles que vamos nos casar!
— Não — falou Miranda — Caso-me com o cavaleiro mais habilidoso.
José Mendonça que a tudo ouvia, exaltou-se.
— Eles se matarão! Tens consciência disso?
Miranda deu de ombros. Falou-lhe:
— Não aceitarei nada além do melhor. Não sou gorda e feia como antes.
Notando que disputavam a mão da mulher mais bela do mundo os cavaleiros desfizeram a união de até então. A luta deveria ser individual e neste ponto, Jorge recuperou sua vantagem. Hipnotizado por Miranda, atacou os próprios companheiros, vencendo-os um a um, até permanecer sozinho diante da dama.
— Matei todos os meus adversários para que reconhecesse minha bravura. Sou digno de ser teu marido.
— Tens razão, és digno. Casaremos.

Um dos cavaleiros virtuosos sobreviveu à disputa por Miranda e correu relatar tudo para rainha. Ele chegou ao reino de Ádria dias depois e informou que Sir Jorge havia enlouquecido, dizimando toda a sua tropa de cavaleiros e que casaria com uma dama muito bonita, cujo nome era Miranda. A rainha se enfureceu. Dispensou o virtuoso e caminhou até a saída do salão do trono.
— Preciso de sua ajuda, meu pai.
Depois de dizer a si mesma estas palavras, a rainha dirigiu-se até o antigo calabouço no qual permaneceu morta e presa com o marido tempos atrás. Ela sabia que o local era mágico. Sabia, também, como pedir ajuda dali. Suas decisões como chefe de governo, muitas vezes vinham de lá.
O lugar estava infestado de serpentes. As cobras capazes de transitar entre o mundo dos vivos e o dos mortos. Ádria tinha poder sobre elas, desde sua ressureição.
— Tragam-me meu pai — ordenou.
Todas as cobras entraram na tumba da rainha e uma luz rubra emanou de lá. Mãos humanas apareceram, antecedendo um corpo forte e nu. O homem se sentou. Sua pele era alva e brilhante. Não dispunha de cabelos, o corpo todo marcado por símbolos mágicos.
— Filha boa, o que desejas?
— Vingar-me. Dê-me o poder para tanto.
— Sabes melhor do que ninguém que nada do que disponho é de graça. O que tens para me dar em troca?
— Do que precisas?
O homem falecido abriu os braços precários. Respondeu:
         — Dê-me um corpo de carne.


Para conferir todas as crônicas e entender o momento da história clique aqui. 

19 de janeiro de 2017

Voltando a Fita 2016 - parte 2


Sigo com a retrospectiva 2016, agora com a segunda e última parte. Julho foi o mês de resenhar o livro "Aos Pés do Mestre" e "O Universo de Carime". Fezesman esteve presente com as tirinhas "Na Merda" e "Fezes Guru". Divulguei a capa e a sinopse do meu livro "Por que, Pai?" e publiquei um texto sobre o Superman dos quadrinhos.

Em agosto resenhei "O Diário de Anne Frank" e divulguei o link para comprar "Por que, Pai?". Fezesman teve tirinha inspirada em Pokemon Go! Fechei o mês resenhando "Pétreos" de Everton Moreira. Já em setembro Fezesman teve duas tirinhas: Fezes de Ouro e Eleições. O mês foi muito importante por causa do lançamento do livro "Por que, Pai?". Ah, teve resenha do livro do meu amigo Afonso J. Santos.

Outubro teve resenha do livro "Eterna Promessa" e Meio Sol Amarelo". Fezesman alterou sua foto de perfil em homenagem ao Dia das Crianças e anunciei que doze capítulos de Estela estavam disponíveis gratuitamente para leitura. No penúltimo mês do ano três livros foram resenhados: Trono de Vidro, A Guardiã de Histórias e Elogio à Loucura (este último de uma escritora aqui de Mogi Guaçu). Fesesman deu as caras com a tirinha "Pensamento de Merda". Em dezembro tivemos apenas três postagens, destaque para o Fezesman com "Quem você Salvaria?" e o comentário para o conto "A Vendedora de Fósforos"

Chegamos ao fim do nosso Voltando a Fita, desejando um 2017 de sucesso para todos. Que na próxima retrospectiva tenhamos muitas alegrias para relembrar. 

Grande abraço.