27 de maio de 2013

As 100 Melhores Histórias da Mitologia

 

Os deuses greco-romanos nos dias de hoje

As 100 Melhores Histórias da Mitologia é um livro novo que resgata assunto velho. A obra de quase 700 páginas trás 100 histórias mitológicas adaptadas para os leitores atuais, num jogo interessante de textos. Contos narrados em terceira pessoa, em primeira, epopeias, peças de teatro, tudo estrelado pelos deuses greco-romanos e heróis.

Os Autores A.S.Franchini e Carmen Seganfredo são responsáveis pela maior série de contos mitológicos do Brasil. Dentre o trabalho da dupla destaca-se “As 100 Melhores Histórias da Mitologia” por trazer como personagens principais os afamados deuses gregos. Mas não se engane, você não vai encontrar Zeus no livro, nem Hades ou Atena. Os autores optaram por usar os nomes romanos dos deuses. Assim, Zeus é Júpiter, Hades é Plutão e Atena é Minerva. A justificativa é simples e está no prefácio: as adaptações foram baseadas em textos romanos, mais modernos e melhores trabalhados.

O livro tem sua cronologia, narrando desde a queda dos Titãs, perpassando pela consolidação de Júpiter como deus-mor, seguindo com seu casamento, suas famosas “puladas de cerca” (literalmente falando, já que o pai dos deuses numa dessas, se metamorfoseou em touro e pulou cercas para raptar a pobre, mas bela Europa), o nascimento de seus principais filhos e demais histórias do panteão divino.

A obra não fica apenas nos deuses. É relatada também a história da humanidade que vez ou outra acaba sendo interferida por um dedo divino. É assim com Pandora, criada pelo horrendo Vulcano e que trás ao mundo todos os males. Júpiter teve um acesso de inveja do homem feito de barro criado por Prometeu e mandou o filho criar um humano melhor. Este humano melhor era Pandora. Ela ainda foi incumbida de portar certa caixa que não deveria ser aberta. Só que o patriarca dos deuses sabia da curiosidade dos homens e previu que ela abriria. Dito e feito e cá estamos com todas as doenças.

Tem a famosa Guerra de Troia com todos os seus prelúdios e consequências. Desde o motivo que desencadeou a desgraça de Troia, que tem a ver com o fato de o pobre Páris ter escolhido dentre Juno, Vênus e Minerva, a deusa que merecia o Pomo de Ouro cedido pela Deusa da Discórdia. O jovem filho do rei de Troia escolheu Vênus, mas a deusa não foi honesta na disputa, vejam vocês. Vênus pediu ao seu filho Cupido que fizesse Pária apaixonar-se por Helena que era casada com Menelau. Para vencer a disputa, ofereceu ao filho de Príamo o amor da belíssima (como é de praxe) Helena. O príncipe aceitou a oferta e tudo começou aí.

Os personagens da Guerra de Troia são inseridos com precisão e suas histórias narradas paralelamente ao avanço do empate. Do lado dos aqueus temos o rei e esposo traído Menelau, seu irmão Agamenon, o engenhoso Ulisses e o herói Aquiles. Do lado de Troia, o rei Príamo, seus filhos, dentre eles o primogênito Heitor e o raptor de Helena: Páris. Não há um personagem que não tenha sua história narrada do começo ao fim. Helena, por exemplo, é mostrada como esposa fiel de Menelau, depois como adúltera, amante do jovem Páris. No decorrer da guerra é o pivô central da disputa tanto por ser responsável pela mácula na honra do rei grego como por ser amada pelo príncipe de Troia. Menelau lava sua honra suja pelos troianos e decide perdoar Helena, restituindo-lhe como rainha. Mas não se engane, a bela Helena não teve muita sorte depois da morte do esposo rei; morreu enforcada por quem lhe tinha inveja, depois de um banho de riacho. Morreu limpa, como era seu desejo.             

O mesmo se pode dizer dos outros envolvidos na guerra. Cada qual tem toda a sua história relatada nas páginas de “As 100 Melhores Histórias da Mitologia”. Os feitos de Aquiles, sua morte pela flecha de Páris guiada pelas mãos do deus Apolo que atingiu o único local do corpo do herói que era vulnerável, o calcanhar, porque era por onde sua mãe, a deusa Tétis, tinha lhe segurado quando bebê, a fim de banhá-lo nas águas do rio que nasce no Hades. Quem fosse atingido por aquelas águas tornava-se invulnerável.  Os autores seguem depois da guerra de Troia narrando os feitos dos sobreviventes e terminam com Hércules, o filho bastardo de Júpiter. A morte do herói é o último conto.

Em palavras simples, conhecer os mitos que povoaram a mente dos homens nos primórdios da história, é conhecer um pouco do mundo perdido ou não. As 100 Melhores Histórias da Mitologia tem a função de trazer aos novos leitores aquelas histórias que sempre serviram de inspiração para outras histórias. Com uma narrativa rica e variada, adquirida com muito estudo e cuidado para se fazer atual, A.S.Franchini e Carmen Seganfredo resgatam um tesouro. É de grande fascínio conhecer um pouco de mitologia. O leitor acaba associando aquilo que lê com histórias bíblicas e com grandes histórias famosas. A premissa de que as histórias se adaptam ao longo dos anos e se repetem de forma a se manterem vivas se aplica aqui.

Ótima leitura! Fica a dica e a resenha.

Abraços.        

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Bem-vindo. Seu comentário é muito importante!