14 de dezembro de 2017

Quentin tem que Morrer - Samuel Cardeal


Ação, sangue e referências


Samuel Cardeal é escritor e fã do cineasta Quentin Tarantino. Nesta obra única junta suas duas paixões de forma memorável (e insana?). Já no prologo do livro temos uma lição sobre conhecimento passado de geração a geração, dando o clima propício para a construção da história. Tudo começa propriamente dito com mais um dia comum da vida de Quentin, um jovem que trabalha em uma locadora de filmes. Depois, pessoas estranhas começam a persegui-lo. Uma saga de perseguição implacável tem início e o aparente motivo de tudo é revelado, sendo contrário ao que o personagem e o leitor pensam. Vilões e mocinhos não estão bem claros, mas Quentin não tem tempo para pensar nisso: precisa comprar armas, aprender a usá-las e se defender, pois querem matá-lo. 

Como se vê "Quentin tem que Morrer" é uma história intensa, rápida e divertida, como se fosse mesmo um filme de ação. O detalhe é que os personagens que aparecem no livro são caricaturas dos criados pelo cineasta homenageado. O mesmo acontece com algumas cenas e creio que, para aqueles que conhecem toda a obra de Quentin Tarantino, identificar estas referências seja muito divertido. Entretanto, a história não se resume à homenagens. Há um enredo que explica tudo aquilo. Ok, um enredo caótico e insano, mas que é coerente. Quentin, o personagem, é bem construído. Sua evolução ao longo da história é plausível. 

O visual do e-book (a versão que tive acesso pelo Amazon) é bem feita, bem editada. Um bom trabalho de fontes e de desenhos, sem tirar o foco do texto. Os textos de abertura do livro e de final feitos pelo autor ajudam o leitor a entender sua intenção e serve como uma manual de instruções sobre a obra. Um bom livro!

Resumindo, se você quer se divertir enquanto lê, é fã de filmes como Kill Bill e Bastardos Inglórios este livro é ideal. Leitura rápida e interessante, visual bem construído e um prato cheio de referências (o que está em evidência atualmente). Este leitor aqui gostou e já se prepara para "Quentin tem que Morrer Vol.2". Se bem que...

Fica a resenha e a dica!
Abraço. 


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6 de dezembro de 2017

Rainha estará de graça pela primeira vez na história deste país!


O meu livro Rainha estará de graça na loja virtual da Amazon a partir de hoje, o dia 06/12, permanecendo assim até o dia 10/12. 

Baixe no link:


Quer saber mais sobre o livro que você vai ler?


Capa oficial do livro: 


Sinópse:
Bruno Vieira Junior é um ex-delegado que após a morte da sua noiva torna-se um recluso detetive alcoólatra. Contudo, sua vida se transforma depois de ser contratado contra vontade por uma peculiar adolescente. Intrigado, ele aceita investigar o verdadeiro passado da cliente, entrando numa surpreendente trama, cheia de ação e mistério.

Booktrailer:



Confiar mais detalhes aqui:

https://paullawblog.blogspot.com.br/p/rainha.html

Abraço!
Paul Law

1 de dezembro de 2017

Anna e o Planeta


O que esta geração vai deixar para sua sucessora?


Anna e o Planeta é mais recente o romance juvenil do escritor norueguês Jostein Gaarder, conhecido mundialmente por ser autor de "O Mundo de Sofia". Lançado em 2016, a obra narra as preocupações de Anna com o aquecimento global, a extinção dos animais e o desmatamento desenfreado. Paralelamente ao tempo de Anna, há a história de Nova, adolescente do futuro, cujos dias são terríveis por conta do estado do planeta. 

O livro começa com Anna prestes a completar dezesseis anos e ganhando um anel de presente de aniversário. O tal anel, segundo contam, pertenceu a Aladim e possui propriedades mágicas. Fato é que, a partir do uso da joia, a adolescente começa a sonhar com o futuro, com sua tataraneta Nova. Os sonhos parecem reais, o mundo é decadente, o que motiva a personagem a pensar no que sua geração está fazendo à Natureza. Anna sempre pensou no meio-ambiente, mas as outras pessoas tendem a achá-la maluca por dar importância a isto. Ela chega até mesmo a visitar um psicólogo. Ora Anna se vê como Nova, ora ela é sua tataravó e a culpada por ter destruído a Terra. Nova sente raiva das gerações anteriores que nada fizeram para salvar o planeta, não se importando com seus filhos e netos. Ciente deste sentimento Anna decide fazer alguma coisa para mudar o futuro. 

Sem dúvida o livro trata de um assunto importante. A poluição ambiental, a extinção de diversas espécies animais e o aquecimento global são temas atuais e preocupantes. Gaarder tenta despertar no leitor sensibilidade a estas condições que, embora seríssimas, são deixadas de lado. Poucos são aqueles que estão verdadeiramente preocupados com o futuro do nosso planeta e o autor expões esta realidade. Usando de sua filosofia apurada, ele discorre sobre ego, sobre o quanto é difícil pensar em algo que não é tangível num primeiro momento. Quando o impacto de nossas ações forem mais convincentes, será tarde demais. 

Entretanto, Anna e o Planeta é o piro livro dentre todos os que li do autor. Superficial sobre o assunto principal que é a consciência ambiental. Senti falta de dados matemáticos sobre espécies em extinção, sobre o aumento da temperatura da Terra ao longos dos anos. Mais, ainda, qual o verdadeiro impacto da indústria no planeta, a poluição e afins. Afinal, como está o mundo de verdade? Quanto tempo temos se continuarmos a poluir o nosso meio? Estas perguntas não são esclarecidas na obra e isto a deixa superficial, como mencionado. 

Outro ponto negativo são os personagens. São mal elaborados, pouco humanos, sombras de uma Sofia ou de outros tantos mágicos personagens de Gaarder. Aliás, Anna em seus diálogos até se assemelha à Sofia, mas sua construção é imprecisa. Ela é louca? Ela é realmente preocupada com a natureza? Jostein Gaarder na maioria de suas obras conseguiu se conectar aos seus leitores de modo a explicar com poucas palavras coisas complexas, mas aqui, com Anna, esta conexão não existe. Falta texto, falta construção de enredo e personagem. O núcleo de Nova é uma visão possível e coerente do futuro, organizada com verbos no presente, o que dá um efeito impactante ao que é lido. Por outro lado, a personagem também é desprovida de alma, limitando-se a ser um reflexo de Anna em tempo diverso.

Talvez o assunto incomode o leitor e influencie o julgamento. Jostein Gaarder explora esta possibilidade ao refletir sobre o motivo de não nos preocuparmos tanto com a Natureza e isto é uma das melhores partes do livro. Outro ponto que vale destacar é a ideia de Anna e o namorado para salvar o planeta: estimular boas ações com dinheiro, admitindo que o ser humano só se importará com o tema se obter alguma vantagem. Algo assim já foi explorado em obras espíritas e em alguns livros de ficção e a premissa é muito interessante.

Em suma, Anna e o Planeta é um livro de rápida leitura, superficial, de personagens pouco cativantes, cujo o tema principal é atual e importante. O leitor aprenderá quase nada ao concluir a leitura, o que é uma pena. Não se pode acertar sempre, Gaarder é prova atual desta regra.

Fica a resenha e a dica.
Abraço.