Artesão sabia dos dois pontos fixos dos homens: nascimento e morte. Era nesse último que ele e seus irmãos trabalhavam. No meio dessas duas extremidades é que cabia toda a existência de cada um, o que não era muito.
Ouviu de Elisa que ela tinha uma mãe, a quem chamava de Fátima e que havia sumido.
O carregador de caixão pediu para que a menina lhe tocasse em parte do corpo não enfaixada, adiantando que ao fazê-lo ela veria, pelos seus olhos, aqueles que ele tinha carregado e com quem ela tinha forte ligação.
— Verá sua mãe se a morte já a tocou — ele finalizou.
Assim procedeu a garota e tudo ficou escuro, mas ela sentiu paz.
Artesão puxou o braço, trazendo-a de volta da paz e falou-lhe:
— Também pude ver pelos seus olhos enquanto nos tocávamos e sei que sua mãe está apenas até a arrumação, sendo que após isso nenhuma outra vez se encontrarão.
Apesar de a mãe não aparecer nas lembranças de Artesão o que significava que ainda estava viva, era certo que o tempo de Elisa não comportava reencontro. Não enquanto Artesão fosse morte.
— Você que transforma qualquer coisa não pode mudar meu destino?
— Talvez eu possa se usar as duas mãos, mas como vê, tenho uma delas presa à alça do caixão. Há o de mim livre que poderá fazer o que me pede. Sei dele, pois já transportei a mulher que ele amava. Terá que encontrá-lo.

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