12 de agosto de 2019

O maior presente do mundo



— O que eu vou dar de presente pro papai? — perguntou Lívia à mãe que organizava a louça lavada. 
Marcela deu de ombros, os olhos baixos, concentrada em seus afazeres, mas atenta ao dizeres da filha. Respondeu: 
— Um boné? Uma bermuda, um jogo de videogame. Acho que seu pai ia gostar de um jogo novo, o que acha? 
 Lívia tinha oito anos e sabia que precisaria da ajuda da mãe para presentear o pai com alguma daquelas sugestões. Não que fosse má ideia, só que não era isso que ela queria; pensava em algo que pudesse providenciar por si mesma... 
— Vamos fazer uma carta pra ele — sugeriu Tina, a irmã mais nova. 
Cristina tinha cinco anos e dera justamente a solução de que Lívia precisava. Era isso! Algo que ela poderia fazer. 
— Boa ideia, Tina! Podemos fazer mais do que isso! Você me ajuda?
Então, as duas começaram a preparar o presente. Lívia pegou uma caixa de papelão retangular de bom tamanho. Tina trouxe o guache e os pincéis.
— Você pinta este lado e eu vou escrever desse outro — falou Lívia.
Ela escreveu “Papai”. Com canetinha fez desenhos de bigode e gravata. Fez dois furinhos nas extremidades e os usou para prender o fio dourado que pegou de um embrulho velho. Ao final tinha uma elegante alça. 
— A caixa está pronta — constatou Tina. — Agora falta o que vai dentro. 
— O conteúdo vai ser o que você disse que ia ser. Vou fazer uma carta bem grande, cheia de desenhos! 
— Eu também!
As duas destacaram várias folhas do caderno de espiral que usavam para desenhar e começaram a escrever e fazer desenhos. Depois, usaram cola para formar um livreto e deixaram secar. 
— O que acha da gente colocar mais coisa? — perguntou Tina. 
— A caixa é grande mesmo, mas não tem mais nada pra colocar.
Marcela observou atentamente o trabalho das filhas naqueles dias. Deu uma sugestão:
— Vou ao mercado hoje e posso trazer bombons, balas. 
— Bala de café. O papai adora café — falou Lívia. 
De tarde o presente estava feito. Três bombons, quatro balas de café e uma de canela estavam por cima de dois livretos coloridos, dentro de uma caixa pintada e desenhada. 
— Agora é só esconder e dar pro papai no dia dos pais — finalizou Marcela. 
 No domingo dos pais Joaquim acordou por volta das nove horas. Fez sua higiene matinal e colocou o café no fogo. Não demorou muito para Lívia e Tina chegarem à cozinha com a caixa de papelão especial. Entusiasmadas entregaram ao pai e deram-lhe um gostoso abraço. Depois de constatar todas as coisas que estavam na caixa, ler as cartas e se emocionar com os dizeres de suas filhas, ele agradeceu. Falou:
— Tem muitos pais e presentes por aí não é? Uns devem ter ganhado camiseta, sapatos ou bermuda. Outros, mais ricos, um relógio, um celular, uma televisão. Deve ter pai mais rico ainda que ganhou ou comprou pra si mesmo um carro novo, uma casa.  Tem muitos carros e casas por aí. Sapatos também. Só que não tem outra caixa dessa no mundo inteiro, já pensaram nisso? Essa caixa, essas cartinhas são únicas, só minhas! Então, eu penso que sou um pai muito especial e feliz que acabou de ganhar o maior presente do mundo! Na verdade, o maior presente é a presença de vocês, minhas filhas. 

Paul Law, Mogi Guaçu, 12 de agosto de 2019.

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