14 de setembro de 2026

O corredor



E ele gesticulava com animação, andando de um lado para o outro. Falava da luz, das criaturas e do homem. Estava no meio do corredor, por onde transitava muita gente, mas ninguém lhe dava a mínima atenção.

O seu espaço ao lado, vazio. Seus livros, meticulosamente arrumados. Não havia vendido nenhum.

Desviavam dele, riam. Um comentava com outro sobre ele.

Deus não se importava: bastava a si mesmo.

27 de agosto de 2026

Gerúndio


Ele foi crescendo sem ninguém dar a mínima. Indo à escola, mas, não, estudando. Aprendendo o que não devia. Formando-se pouco, quase nada, mão de obra barata. Trabalhando, comendo, sobrevivendo. No fim: ignorando, rindo, sofrendo. 

Morto. 

14 de agosto de 2026

Não pode tocar


 

Mãe Estela repetiu que ninguém, a partir dali, poderia tocá-la. Se conseguisse, teria o sucesso que tanto sonhava e seria muito rica. Érica assentiu, selando o pacto, não se importando com as consequências de falhar. 

Com os anos, conseguiu riquezas que achava impossível a alguém ter; seu nome se tornou mais conhecido do que o do presidente do país. Sentiu-se tão poderosa que não viu mal em descumprir o combinado com Mãe Estela e quem ela representava. 

Uma noite incrível, tinha se esquecido do quanto era bom. Cansada, dormiu, para sempre.  

12 de agosto de 2026

Para minha mãe



Ao ouvir o seu nome sendo anunciado, ela se levantou. Partiu por entre a fileira de formandos, roçando a barra da beca em outras becas. Um filme passou-lhe pela mente enquanto caminhava para o palco mal iluminado. Era sobre suas mães. Sim, Letícia tinha duas: a mãe mãe e a mãe avó. Ambas estavam na plateia tirando fotos. 

Subiu pelo canto do palco e caminhou em direção aos professores e diretores ao som seco do salto sob o tablado. Ganhou os abraços de costume, pegou o canudo e foi ao microfone central. Com lágrimas nos olhos, agradeceu àquela que a criara; lhe dera caráter, estudo e dignidade. 

A senhora a fitava da plateia, orgulhosa. Dessa vez acertara como mãe.  

   

23 de julho de 2026

Parabéns

E ele que não queria festa, não tinha ânimo, acabou ganhando a celebração mais bonita da sua vida. Percebeu o quanto era amado, querido e importante. Pousou para foto, junto aos filhos e a esposa, tentando manter a seriedade de sempre, embora a felicidade quisesse escapar pelos cantos dos lábios. 

— Pronto. Agora vamos comer — disse. 

Foi a última fotografia.  

10 de julho de 2026

Sonho e Pó no Olho Vivo

Saiu uma entrevista no canal Olho Vivo do amigo escritor e radialista Athayde Martins sobre o meu livro Sonho e Pó. Ela aconteceu lá na Bienal do Livro de Mogi Mirim mesmo. Quer ver?



Não é o máximo?
Deixo registrado aqui os meus agradecimentos pelo apoio e amizade que recebi do Athayde Martins. Ah, você pode seguir o canal dele e conferir seu conteúdo artístico. Eu já faço isso.  
Abraço!

4 de julho de 2026

Em casa


O barulho do chacoalhar das chaves; das dobradiças da porta, que precisam de lubrificação; dos sapatos de salto alto sobre o piso cor de cinza-noite. O dedo no interruptor faz a luz solitária se espalhar pela saleta. Tudo meticulosamente arrumado e cheirando a lugar fechado.

A bolsa pequena pende de seu ombro até o sofá cor de pérola. Ela se senta, retira os sapatos e encara o vazio: não deveria estar ali.  

5 de junho de 2026

Amanhã



Lá no Acampamento de Escritores eu postei um conto que se chama "Amanhã". Esta breve história tem ligação com Sonho e Pó, o livro que lancei recentemente. Conta um pouco de história de um carregador de caixão, mas para não estragar a surpresa de quem está lendo ou ainda lerá a história, vou evitar transcrever o o conto aqui. Vou deixa o link para leitura:

https://acampamento.altvers.net/texto/amanha

Veja mais texto por lá! Comente, escreva, compartilhe.

Abraço. 

29 de maio de 2026

Minha participação na Bienal do Livro de Mogi Mirim


No domingo passado estive em um dos estandes destinados aos autores na Bienal do Livro de Mogi Mirim. Fiquei por lá com meu livro "Sonho e Pó" das 13h às 17h, recebendo amigos, poucos colegas autores e muitos familiares. Ah, sim, minha família encheu o evento, o que me deixou muito contente e orgulhoso. 

Também apareceu por lá autoridades: o vereador de Mogi Mirim Coran e sua esposa Elisa. Fica aqui registrado o meu agradecimento por ele ter dispendido seu valioso tempo para prestigiar a bienal e este autor. 

Teve a presença de amigos importantes, quem não gosta de fotos e eventos (eu o entendo perfeitamente), mas, mesmo assim, apareceu; de um amigo que não tem saído de casa ultimamente por enfermidade; amizade dos tempos de escola, o parceiro e professor da Beatriz; o estimado escritor e radialista e aquele que criou a capa do livro. Alunos. Estas partes foram incríveis. 

Minha mãe, meu irmão com sua esposa e filho.

Agradeço à minha amiga escritora da Academia Guaçuana de Letras, Aparecida Pompeu, que gentilmente cedeu parte do seu espaço de lançamento de livro para que eu pudesse apresentar a minha obra.

Aos organizadores da BLIMM pela iniciativa tão importante. 

Ah, e claro, ressalto a ajuda da minha esposa e filha. Principalmente da Bia que foi comigo no começo e se desdobrou para atender todo mundo, carregar livros e ficar comigo do começo ao fim. Obrigado, filha.

Vamos ver as fotos deste dia mágico?      


















Fica mais um registro!
Abraço. 

16 de maio de 2026

Sonho e Pó na BLIMM

Olha que lindão o livro!

Aqui já contei do meu livro mais recente que tem o título de Sonho e Pó, não foi? A novidade é que os exemplares físicos chegaram esta semana e vão estar disponíveis para serem comprados lá na 1ª Bienal do Livro de Mogi Mirim. 

Eu vou participar como autor na Bienal do Livro de Mogi Mirim, que acontecerá do dia 21 ao dia 24 de maio deste ano, veja só:


Não é o máximo? Alguns amigos e conhecidos escritores também estarão lá, como a escritora Arlene Padrão, Aparecida Pompeu, Camila Pelegrini, Regina Alvarenga, Paulo Tristão e Ivone Lopes.

Tem muita gente boa confirmada coimo o Renan Inquérito, Sergio Vaz e Paula Pimenta.

Vai rolar oficinas, venda e troca de livros. A minha favorita será a de sábado, dia 23, sobre confecção de livros cartoneiros com a Josélia Longatto. 

Então, apareça por lá para ver os escritores daqui; ver-me e eu vir você; tirarmos uma fotinho juntos! Minha participação será no dia 24 a partir das 13h e fico até às 17h.  

Mais informações, acompanhe o perfil da BIMM no Instagran

https://www.instagram.com/blimm.mogimirim/

Sinopse de Sonho e Pó:

https://paullawblog.blogspot.com/2026/01/sonho-e-po.html

Um abraço! 

7 de maio de 2026

Ela vai voltar?



Há mais de trinta anos que lecionava naquela escola. Conhecia cada sala, presenciara todas as reformas e conhecera vários diretores, dos quais muitos já descansavam eternamente. Continuava... 

O ânimo era quase o mesmo dos primeiros anos, mas os outros não pensavam assim. Era chamada de velha, de gagá, de ultrapassada. Ela acreditava que tinha muito, ainda, para contribuir. 

Um dia houve uma queda em casa. Quebrou o fêmur. Ficou internada. 

— Vai tarde — disseram os alunos.

Seus companheiros não disseram nada.  

No outro dia havia um professor eventual no seu lugar...

27 de abril de 2026

O almoço


Eram 15h30 quando ele foi almoçar. Às 9h30 não pôde, pois um aluno lhe pediu que corrigisse as atividades. Ao se aproximar do local onde se servia a merenda, foi recebido com rispidez pela merendeira. Pegou o prato e começou a se servir do restinho de comida no fundo da panela. Ouviu:

— Amanhã você traz comida. Professor não pode comer mais.

Baixou os olhos cansados e se afastou com o pouco que conseguiu.

10 de abril de 2026

Uma fotografia


Ela do presente segurava diante dos olhos a fotografia. Ela do passado lhe sorria, diante de uma bicicleta vermelha. Era menor, as roupas simples, o cabelo bagunçado. Estava presa a um tempo que não existia mais. Seu pai, sua mãe e avós, que também estavam ali, não alcançaram o presente; aquele céu de anos passados, aquelas árvores e aquela estrada: tudo ficara para trás. Será que o seu eu futuro, já morto, se lembrará de olhar nos olhos de quem um dia o observará?

7 de abril de 2026

Um mergulho



Ela reapareceu entre ondas, com os cabelos castanhos escorrendo pelos ombros bronzeados. Tinha um maiô comum, marrom e parecia ter uns trinta anos. Ele a via, mas o som do mar parecia confundi-lo. Talvez fosse a cerveja, o camarão, a idade. Ela vinha em sua direção? Encarava-o sedutoramente, enquanto todas as pessoas desapareciam. O som das ondas do mar ficou ainda mais alto.
Disse-lhe que se chamava Sem Futuro e que viera buscá-lo. 

27 de março de 2026

89



Lá na casinha do Vale os ouvidos quase surdos da Costureira ouviram o apito triplo do trem de Maquinista. Ele confessou a ela que, livre, teria uma serpente de ferro e levaria perdidos para lugares ainda mais perdidos um dia; que ao sair da estação soaria o apito por três vezes para ela.

13 de março de 2026

Barco de papel


Ele nunca soube fazer um barco de papel. Ela tentou lhe ensinar, mas logo percebeu que a tarefa seria difícil.

— Dobra aqui, olha — ela falou.

As mãos dele não eram boas para arte, mas a alma, sim.  O sorriso que via nela daria poesia.



19 de fevereiro de 2026

Pingente de estrela


A mãe mostrou-lhe uma corrente com um pingente de estrelas, perguntando de quem era. Lembranças só dele, escondidas com muito empenho, ressuscitaram com violência; eram do dia em que o amor perdido usou aquele colar; da última vez que se amaram. Ela esqueceu a bijuteria sobre o criado mudo quando foi embora e nunca mais soube dele até ali. Dela, sabia que se casara, tinha filhos e vivia aparentemente feliz, embora perguntasse a si mesmo se se lembraria do pingente de estrela. Ele não se casou, não teve filhos, não vivia aparentemente feliz. 

31 de janeiro de 2026

Sonho e Pó

Não tinha falado nada antes, mas tem um livro novo de minha autoria lá na Amazon para ser adquirido. O título dele é Sonho e Pó e se trata de uma história fragmentada em que uma menina chamada Elisa sai em busca da mãe que a abandonou sem explicação. O cenário, você vai ver, é o interior do nosso Estado de São Paulo, precisamente a zona rural aqui da região de Mogi Guaçu, Aguaí... 

O caminho é de um dia, mais ou menos. Muita coisa acontece nesse tempo. Veja aqui a capa e a sinopse:

A capa foi criada pelo Yuri Raposo

Depois de ser abandonada pela mãe, Elisa começou a alimentar esperanças de reencontrá-la viva ou morta. Misturando a realidade do abandono às histórias contadas pelo saudoso avô sobre os carregadores de caixão, entidades sobrenaturais que levam mortos ao descanso final, ela parte em busca de respostas.

No caminho de um dia, ela, que já tem a companhia de Sonhadora, vai encontrar os demais carregadores, fantasmas, bem como pessoas comuns que a ajudarão a descobrir o paradeiro da mãe.

Se quiser dar uma força a este escritor, pode comprar o livro clicando aqui por R$ 9,99. 

Logo tenho mais novidade sobre ele, como um lugar diferente para comprar, uns capítulos disponíveis para ler, imagens e outras coisas. 

Até!  

27 de janeiro de 2026

O³ de Fagner JB



Já contei aqui que tem um site para podermos publicar nossas histórias, não é? Neste espaço, o autor Fagner JB começou a publicar a sua série literária de ficção científica chamada O³. O prólogo se chama Origem=Cobiça=Opressão e pode ser conferida neste link:


É uma história que se passa no espaço, após a Terra se tornar aparentemente inabitável por causa do aquecimento global. Naves e piratas estão garantidos.

Sabe o que achei interessante? A história pode ser ouvida, além de lida. Tem um botão, ouvir, que server para reproduzir o que está escrito. Não é o máximo?

Fica a indicação e dica.
Abraço. 

22 de janeiro de 2026

Banco da rodoviária


Tinha sido um final de semana incrível! Ele se sentou, pensando no fato de aqueles serem seus últimos minutos ao lado dela. Ela falava-lhe frivolidades, mas ele registrava na memória cada palavra dita, risada, trejeito e cheiro. Queria lembrar de tudo até que voltasse. Deram-se um beijo; despediram-se sob o juramento do reencontro. Queria tanto ficar... 

Foi, passou-se a semana. Voltou. Ela não estava lhe esperando no banco da rodoviária.